domingo, 7 de novembro de 2010

Eu sou... ou não...

Fecho os olhos ao que não me desperta interesse
Fecho os ouvidos a sons que me machucam
Elimino todos os meus sentidos
Apago pensamentos e sentimentos
Abro a janela e me lanço no ar
Flutuo no vento... Viajo ao esquecimento
Resguardo-me o direito da indiferença
Tento pouco a pouco tornar-me mais familiar
Mas, enredados são os caminhos de minha alma
Uma alma solitária, que nunca se permitiu amar
Uma alma que sofre, chora... Mas sorri...
Que está sempre a buscar, sem nunca nada encontrar
Que não se reconhece no reflexo do espelho
O que sou então?!?!?
Uma coisa que pensa, que concebe, afirma e nega
Que se importa com quase nada
Mas que sorri para o sol
Que aceita suas carícias sem nada dizer
Que brinca na chuva e volta a ser a criança
Meu espírito se deleita em perder-se
E ao se perder encontra-se
É nesse encontro que faço sentido
Não aos que tentam me prender
Pois que sou uma alma livre...

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Beija flor...

Beija flor que bate suas asas
Chega bailando no ar e
Beija minha boca
Beija flor que suga meu calor
Que leva em suas asas meu amor
No ar sobe e desce... me toca
Chega e sem pedir beija minha face
E volta a bailar no ar
Brinca com meus sonhos
Como quem brinca sem pensar
Beija flor que bate suas asas
De um lado a outro vai sem parar
Beija flor voa para além do ar
Volta me leva contigo me faz sonhar
Beija flor que bate suas asas
E nesse bater desaparece se esconde de mim
Foge dos meus sonhos e desejos
Foge das minhas tentativas de te abraçar
Voe longe Beija flor mas volte
E me transforme em sua doce flor
E nesse único instante abafe meu desejo de amar...

Sai de mim

Sai de mim como labaredas acesas
Penetra o espaço vazio de ilusões perdidas
Vaga como brisa fresca em tarde de partidas
Despedidas em raios de uma luz que anceia
Luz que já não ilumina os caminhos de outrora
Que perfura sem força o vácuo que a ancora
Desdobradas folhas de um passado que ainda vigora
De um presente que resplandece o ontem
Que ignora o agora que dá as costas para o amanhã
Sai de mim como labaredas acesas
Mas que se apaga diante da dor
Morre e se transforma em cinza
Renasce... morre... renasce... morre
Sai de mim como labaredas acesas
Apaga-se e o que era luz
Vê-se transformado em cinza e negro
Sai de mim e a mim retorna
Apaga-se a luz
Encerra-se em mim a dor...

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Amanhecer...

O dia amanheceu com cara de maçã

Doce como o melão,

Claro e iluminado pelas bênçãos do sol e de Deus.

O dia amanheceu com um delicioso perfume de esperança,

Com a certeza de que não serão apenas lembranças,

Que há motivos para um lindo sorriso.

O dia amanheceu com vontade de voar,

Gritar, amar e saudar a cada um que passar.

O dia amanheceu...

E só por isso vale à pena sorrir e seguir em frente...

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Pôr-do-sol


Você vai descendo no horizonte
Cada raio, como último instante
Materializa-se em meu pensamento
Seus matizes brincam nesse céu de momento

Você parte, como parte meu desejo
Você diminui sua luz e se despede com um beijo
Fico ali parada vendo seu desaparecer
Mas você me ensina que voltará em um novo amanhecer

A noite te esmaga, te empurra
Ela me separa de você
Mostra-me o quanto a vida pode ser dura

Você se vai, mergulhando de vez no horizonte
Seus últimos raios com um leve toque
Sem dizer adeus , beija de leve minha fronte...

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

O vazio em mim...

Foto: Ricardo Tavares

Vazio...

Algo se quebrou em mim.


Talvez o vazio e a solidão

Esses constantes parceiros

Que habitam minha casca

Essa casca que se ilude e sofre

Essa casca que não é nada

A não ser uma simples casca.

Uma luz distante... É quase uma estrela

A mais distante de todas

Abraça-me como querendo me salvar

Fico parada e alheia

Não me interessa essa luz

Já não busco mais o que antes

Parecia-me tão certo e sério

Não há salvação no esquecimento.

Sinto o vento passar por mim

Assim como todos que passam

Sem vislumbre de minha sombra.

Tornei-me sombra

Já quase apagada como o sol que se vai.

Para o sol existe outro amanhã

Outro renascer, outro brilhar

Pra mim... Já não sei mais

Renascer significa sofrer

Arder na angústia que sufoca.

E outra vez o vazio e a solidão

Brindam meus últimos instantes

Em um tilintar de taças

O último som, as últimas gotas

Desfaço-me em fumaça

Desapareço no ar.

E aí vem você, todo dengoso e cheiroso Roça meu pescoço, você é habilidoso Sabe sussurrar em meus ouvidos Palavras que fazem meus pêlos e...