segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Solidão...

Bateram-me à porta
Não quis abrí-la
Chamaram à janela
Está também se fechou
Os sons de fora não entraram
Os sons de dentro eram vazios e inaudíveis
Gritou meu coração
Eu o ignorei
As lágrimas chegaram e partiram
Não permiti que rolassem por minha face
Arrastados e cansados meus pés fraquejaram
As mãos agora vazias se quer manifestaram-se
Não houve brilho nem luz
Apenas vazio e silêncio
O tempo se cansou
E sem olhar para trás
Apenas partiu.

Frase do dia

"... Se ela te conhece, e você a conhece e no final do dia você ainda prefere desistir em vez de tentar... nada nunca vai valer a pena..."



(Frase extraída do filme Muito bem acompanhada)

Fantasia...

A chuva não foi tão ruim
Lavou meus pensamentos
Molhou meus sentidos
E trouxe você pra mim
Lá fora as gotas molhavam o mundo
Aqui dentro você molhava meu mundo
O calor aquecia meu corpo
Me fez viajar por caminhos
que apenas eu conheço
E como egoista que sou
Saborei o doce sem nem me dar conta
Que o que ali estava
Era o que realmente mereço...

domingo, 2 de janeiro de 2011

Devaneios III...

Depois que o sol se pôs

Haviam apenas alguns traços

Vermelho, rosa, laranja... cores...

Brilhou a primeira estrela

Seu olhar me convidou à viajar

Flutuar naquele instante foi mágico

Deslizar por sobre a seiva e me encantar

Não quis palavras, elas não saberiam expressar meu pensar

Foram alguns minutos que se quer transformaram-se em horas

Mas foram intensos e ao mesmo tempo leves

Como brisa fresca transformada em temporal

O tempo se despediu do instante

De volta à casa

Janelas e portas fechadas quase ao luar

Do mágico encontro ao real momento

Do princípio ao fim

E intacta estava minha incapacidade de amar.

Uma folha em branco...

Uma folha em branco.

Vazia e estupidamente branca.

Olho pra ela e não vejo nada,

Ao mesmo tempo parece passar por ela

Todas as minhas angústias, dores e frustrações.

Começo a escrever

Com a mesma necessidade que tenho de respirar.

As palavras saem apressadas

E começam a preencher o vazio

Como se, ao cobrir a página,

Pudesse também preencher esse imenso vazio que toma conta de mim.

Em algum lugar do tempo me perdi,

Não consigo encontrar o caminho que antes parecia tão fácil e seguro.

Minha visão não enxerga ou alcança a luz

Luz que poderia iluminar a minha alma.

Seguir adiante é a melhor solução?

Seguir é preciso,

Cruzar essa estrada que se põe a minha frente.

Na bifurcação do destino me sinto criança perdida e desamparada,

Não há uma mão pra me guiar,

Preciso seguir sozinha

E aquela luz que tanto busco parece tão distante que não a vejo.

Quero chorar, lavar toda a tristeza que me consome.

Inundar esse corpo que, fragilizado e alquebrado,

Arrasta-se ao lamento e ao desânimo.

Mas as lágrimas parecem também ter me abandonado.

Os olhos secos e o espírito encharcado,

Não há vestígios de uma só gota de lágrima

E me sinto abandonada até mesmo por ela.

Lá longe tudo parece tão mais fácil,

Mas meus pés teimam em ficar fincados como raiz.

Esse passo se manifesta em minha mente,

Mas o corpo não reage, as pernas tornam-se pesadas

O chão duro como pedra,

É um vilão ardiloso que ri do meu esforço

E nada faz para aliviar meu sofrimento,

Tudo a minha volta parece dar gargalhada de escárnio,

Nem mesmo o céu que parecia tão azul em alguns minutos atrás,

Agora é negro como a escuridão.

Tudo isso é fruto da minha imaginação,

Eu posso ir além, basta dar o primeiro passo,

Basta ter a coragem de seguir em frente,

Basta acreditar que tudo vai dar certo.

Mas, a interrogação parece ser muito mais decidida que eu.

Minhas mãos estão geladas,

Meu corpo transpira um suor frio.

Por que é tão difícil,

Por que não posso simplesmente virar a página e começar de novo,

Por que tenho que dar tantas explicações as minhas inúmeras interrogações.

E os porques vão construindo uma enorme teia a minha volta

Talvez quando o casulo se romper eu renasça

Talvez...



Jacqueline Batista

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Tornei-me fada...



Tornei-me fada...
No mundo de encantamento e magia
Voei por entre flores e estrelas
Brinquei com os sonhos.
Em uma imensa alegria
Toquei e transformei
Cada pedacinho de chão e céu
Por onde passei
O silêncio era abafado pela magia da canção
A música tornou-se minha varinha de condão
Tornei-me fada
Sonhei, viajei e flutuei...
O sonho não é apenas fruto dessa ilusão
O sonho é apenas o começo...
A mulher transformada em fada
Fez florescer uma vida adormecida
Como criança recém nascida
A fada transformou-se em mulher
E é essa mulher que desabrocha
Para um renascer e florescer de esperança.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Insônia...

Você chega do nada e toma conta de mim
Me irrito, esbravejo, mas não tem jeito
Quando você vem, vem com determinação
Olho o relógio e os ponteiros parecem preguiçosos
Forço o olhar e um segundo vejo passar
De segundo em segundo o tempo se esvai
Assim como toda minha paciência
Mas já percebi que me irritar com você
De nada adianta ou alivia minha ansiedade
E acabamos travando uma luta
Você com sua sufocante necessidade de me aprisionar
Eu usando de todas as minhas forças para me libertar
Você deixando tudo desperto e alerta
E eu entro no seu jogo...
Se é assim que terminaremos nossa noite
Não importa...
Viva nessa sua ilusão
Hoje você pode me vencer
Mas amanhã...
Amanhã quem lhe vencerá serei eu
E tu, solitária e abandonada
Contará sozinha os segundos do tempo
Pois no sono que me repara
Dormirei na paz que busco e me pertence
Tu és insônia...
E eu...
Eu posso vencer-te no tempo presente.

E aí vem você, todo dengoso e cheiroso Roça meu pescoço, você é habilidoso Sabe sussurrar em meus ouvidos Palavras que fazem meus pêlos e...