terça-feira, 28 de junho de 2011

Bem, foi mais ou menos assim

Eu me virei e ele olhava para mim

Ele fez um gesto engraçado com a boca

Não contive o riso e ficamos ali

Um encarando o outro

Olhos brilhantes e embriagantes

Damo-nos as mãos e caminhamos

Nossos encontros são sempre inusitados

Em cada um a certeza de uma nova reação

Torna-se impossível controlar a emoção

Ele brinca querendo me fazer sorrir

Para ele meu sorriso o deixa encantado, extasiado

Ele não é perfeito e nem eu quero que seja

Quero apenas esses pequenos momentos

Intensos e ao mesmo tempo delicados

Quando ele roubar meu coração de novo

E sempre de novo

Terei a certeza de que foi sempre ele

No seu sorriso que ilumina

No seu olhar que fala mais que palavras

Quando juntos tenho a certeza

De que é possível ser feliz sempre

E sempre de novo

Nesse eterno reencontro de encontros...
Fica decidido assim

Não importa o tempo que leve

Ainda ficaremos juntos

Segue o teu caminho

Seguirei o meu

Um dia nessa grande encruzilhada

Chamada vida

Teremos nova chance

E não haverá nada

Que nos impeça de nos tornar um

E esse um será maior que tudo

Eu e você entregues

Ao que buscamos e desejamos

Na contramão do destino

Encontraremo-nos de novo

Despidos das vestes marcadas

Dos passos ensaiados

Livres e leves para o recomeço

Recomeço de amor

Amor incondicional

Amor de coração

Amor de paixão

Amor de comunhão...
Suas mãos tremem ao simples toque

O hálito doce como brisa fresca

A saborear cada milímetro de pele

Sinto-me consumida por essa chama

Ao mesmo tempo que tento repudiá-lo

Sou atraída e não posso resistir

Dois corpos transformados em um

No único desejo de amar

Amar como se nada mais houvesse

A maciez das mãos

A maciez da boca

A maciez do amor

Sei que tal amor jamais poderá ser declarado

Mas ele será uma semente

A semente que adormece na terra morna

Que um dia brotará e como flor desabrochará

Seu perfume assim como sua beleza

Sempre estarão presentes quando

No nascer da luz que aquece e envolve

voltará a amar e não mais silenciará
Lembra

Quando nós dois apenas nos desejávamos

Que nossa história não pedia futuro

Que nossas vidas eram leves e simples

Lembra

Quando o beijo precedia o amor

Quando a entrega era só de prazer

Que não tínhamos nada a esconder

Lembra

Quando nos prometemos não nos apaixonar

Que estávamos juntos só para brincar

Que veríamos tão somente o tempo passar

Bem, eu não cumpri a promessa

Naquele dia frio de outono

Olhei em teus olhos na intenção de te buscar

E sem nenhuma dúvida disse: Te amo

Você me olhou de volta sem brilho no olhar

Virou-se e partiu deixando apenas seu rastro para trás

Naquele dia você se foi e eu fiquei ali

Enraizada na terra dura da solidão

Com a ferida aberta no coração

Não houve arrependimento

Apenas o gosto amargo da ilusão

E muita história para recordar

Lembra...

terça-feira, 21 de junho de 2011

Queria escrever uma carta
E mandá-la de volta no tempo
Para o tempo dos meus 15 anos
Quando acreditava que o futuro
Seria como uma chuva de pétalas
Em noite de lua cheia
Para acreditar nas palavras escritas
Contaria algo que somente eu saberia
Como aquela carta de amor que nunca
Foi entregue por medo e insegurança
Queria contar que o futuro não
Seria aquela chuva de pétalas
Mas também não seriam noites sem lua
Eu cairia em alguns momentos
Mas haveria muitas alegrias em outros
Os amores viriam e partiriam deixando
Marcas profundas no meu coração
Muitas lágrimas seriam choradas em nome da paixão
Queria dizer que conheceria pessoas maravilhosas
E que fariam toda a diferença em minha vida futura
Mas que também conheceria pessoas que não
Lamentaria quando simplesmente desaparecessem
Nessa carta colocaria palavras que representassem
Todas as emoções sentidas e que meu coração sofreria
E em muitos momentos acreditaria que poderia morrer
Morrer de saudade de pessoas amadas que partiriam tão cedo
Morrer de amor sem nem saber o seu real significado
Morrer de tristeza em um dia e se acabar de alegria no outro
Queria dizer que haveria muitos tombos e tropeços
Mas que ao final me levantaria e continuaria meu caminho
Se eu pudesse dominar o tempo e essa carta enviar
Talvez não estivesse agora recordando todos esses momentos
Talvez não tivesse vivido cada segundo acreditando que
O próximo seria diferente e muito melhor
Talvez não tivesse chorado e nem sofrido
Se eu tivesse o poder de mandar tal carta
Talvez eu mesma não existisse como sou agora
Com todos os defeitos e qualidades
Com o sorriso e as marcas deliciosas da idade
Com a certeza de ser quem eu realmente quero ser
O destino não lhe impõe caminhos
Ele apenas os traça e segui-los é uma opção
Talvez eu deixe uma carta para o futuro
Sem um ponto final
Porque amanhã será sempre outro dia
Mas para mim o que realmente importa
É o que vivo e desejo agora...

sexta-feira, 17 de junho de 2011

          “O pior cego é aquele que não quer ver” essa frase nunca fez tanto sentido na minha vida como agora. A cegueira, como deficiência da alma, alimenta ilusões que sem o menor cuidado acaba transformando-se em frustrações.
          Passamos tanto tempo tapando nossa visão, arrumando desculpas, nos iludindo com falsas demonstrações de afeto, que acabamos nos acostumando às migalhas que vão caindo ao longo do nosso caminho. Essas migalhas, que juramos serem suficientes, não amenizam e muito menos preenchem as lacunas da nossa alma.
          A culpa não é do outro, mas sim nossa. Somos carentes de quase tudo, aconchego, abraço, colo, carinho, amor, são sementes, que jogadas no chão, podem germinar ou não. A fantasia criada e alimentada acaba matando o que de fato é real e certo.
          Buscamos no outro aquilo que não somos capazes de criar e sustentar e, muitas vezes, esse outro alimenta nossa carência, e nessa troca ilusória as fantasias vão nascendo e crescendo. Quando você se dá conta existe uma solidão povoada, um número enorme de pessoas a sua volta e ao mesmo tempo uma profunda sensação de vazio.
          Os momentos de dificuldade servem para você descobrir quem são seus verdadeiros amigos, e às vezes, você se descobre totalmente sozinho sendo você sua única companhia cheia de dor e tristeza, mas ainda assim acreditando que existem pessoas com capacidade suficiente para amenizar pequenos momentos de frustração. Dão-lhe aquilo que acham que você merece e se satisfazem pela missão cumprida, ao passo que você também segue acreditando que as migalhas recebidas lhe são suficientes.
          É quando você se pega sozinho e sentido falta de algo, que nem você sabe explicar ao certo o que é, que a realidade vem com toda a sua brutalidade. Ela não te oferece trégua, muito pelo contrário ela te confronta, bate de frente com todas as suas ilusões e te dá um ultimato... Vai continuar se iludindo? Aceitando migalhas, quando pode ter o pão inteiro?
          Arrancar o véu que nos cobre a visão é como retirar um membro do nosso corpo. Dói muito, porque nos acostumamos às ilusões, nos satisfazemos com o mínimo quando podemos virar uma página e nos deparar com o máximo. Sair da zona de conforto é um risco que nem sempre queremos cometer.
          Às vezes é necessário fazer uma longa viagem, deixando para trás apenas os seus rastros. Uma viagem que te permita o reencontro com você mesmo. Abandono sem remorso, talvez seja esse o segredo para se livrar das ilusões e fantasias e enxergar o que realmente é verdadeiro e que de fato pertence a sua vida. Livrar-se do material e do emocional que não preenche, muito pelo contrário, só te deprime e te esvazia.
          A jornada pode ser longa, perigosa, solitária e talvez te tome a vida inteira, mas ela é necessária se você acreditar que merece muito mais do que tem sido oferecido a você até agora. O medo do novo é necessário, mas não pode ser impedimento para nada.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

          Frio dá uma fome não é? Alguns amigos vão dizer: até parece que ela come... Podem ter certeza eu como e gosto de comer bem, em quantidades pequenas é claro.
          Para mim a comida precisa ser saborosa, colorida, alimentar primeiro os olhos e ter aquele toquinho de amor que só os bons cozinheiros sabem dar. Não estou falando dos grandes chefs, mas sim daquelas pessoas que têm prazer em ir para a cozinha e preparar um prato especial para a família ou amigos.
          Outro dia fui a um restaurante sofisticado aqui em Uberlândia, a beleza dos pratos servidos e o seu requinte era de abrir o apetite, e realmente à comida estava muito saborosa, da entrada a sobremesa, aliada a harmonização dos vinhos servidos, tudo estava perfeito.
           Na semana seguinte fui a um boteco, aquele tipo “copo sujo” o caldo de feijão com galinha estava dos deuses, um pouquinho de cheiro verde e algumas gotinhas de pimenta deram o toque final, acompanhado do pãozinho e de uma cervejinha gelada então, não sobrou nem para o gatinho.
          Qual dos dois me agradou mais? Os dois. O requinte do primeiro, com um grupo de pessoas elegantes e muito bem educadas mostraram-me que é bom estar com pessoas refinadas e que sempre te ensinam alguma coisa. Eram profissionais das artes, que trazem no seu DNA a sensibilidade, a delicadeza e a beleza nata de quem aprecia o belo e dele não se distancia. O segundo também me agradou muito, eu estava com meus amigos queridos, que falam alto, contam piada, cantam e encantam pela sua simplicidade, com eles o ambiente é uma alegria só, porque eles sabem deixar você de bem com a vida em qualquer lugar. Com eles as horas passam e você nem percebe.
          Já que estamos falando de comida e é época de festas juninas, não tem nada melhor do que devorar, sem uma gotinha sequer de culpa, aquela pamonha amarelinha, preparada com os ingredientes originais, macia, com muito queijo e um pouco de canela, você até queima os dedos ao retirar palha por palha e ir raspando cada uma para não perder nada, ou então um pedaço enorme de bolo de fubá ou de mandioca, o amendoim torrado e a pipoca, o caldo que sai fumegando da panela e você não vê a hora de dar a primeira colherada, mesmo que queime a língua, o que é inevitável. Para esquentar as noites frias debaixo das bandeirolas e santos, o quentão, bebida feita a base de gengibre, cravo e canela, uma pinga de boa qualidade, adoçado com mel é muito bem vindo; outra bebida que não pode faltar é o vinho quente preparado com casca de laranja, cravo, canela e um pouco de açúcar, não tem frio que resista.
          Cada barraquinha é um convite ao pecado tem canjicada, arroz doce, pé de moleque, maçã do amor, pipoca, caldos de todos os tipos. As pessoas lotam as praças e se divertem com as quadrilhas, com o forró que te convida a dançar a noite toda.
          O frio está aí e, pelo jeito e intensidade, pelo menos para mim, pretende durar uns bons dias. Reúna os amigos e vá se divertir em uma festa junina mais próxima de sua casa. O Santo Antônio já foi, mas ainda temos o São João e o São Pedro, esse é o meu preferido, talvez por ter me divertido tanto na minha adolescência, quando nos preparávamos para festejá-lo. Os ensaios da quadrilha, as inúmeras simpatias feitas no dia da festa no intuito de conseguir um namorado, de saber com quantos anos nos casaríamos e a melhor de todas: o nome do dito cujo (claro que algumas não deram certo, pelo menos não pra mim), mas tudo era uma grande festa, crianças, jovens e adultos compartilhando o mesmo espaço e divertindo-se, o que era mais importante.
          Falar de comida em tempos de dietas constantes, preocupação obsessiva com o peso, ou até mesmo a falta de alimento para os menos favorecidos pode não ser um bom assunto, mas é de fundamental importância alimentar a alma e esse alimento está presente quando nos sentamos para compartilhar a comida com pessoas que nos fazem bem e que nos querem bem. Seja em um restaurante elegante, no boteco da esquina ou no cachorro quente da praça, o que importa é como e com quem você está.
          Deixo uma receita de bolo de fubá que eu adoro e que é preparado por meu amado tio. Ele sempre o faz quando vou à sua casa. O bolo, além de delicioso, traz junto delicadas gotas de amor que salpicadas com palavras de carinho fazem desse quitute único. Bom apetite! 


Bolo de Fubá (do Tio Maurício)

Ingredientes:

• 2 xícara(s) de chá de fubá
• 2 xícara(s) de chá de açúcar
• 1/2 xícara(s) de chá de óleo vegetal
• 50 grama(s) de manteiga
• 1 colher(es) de chá de sal
• 4 ovos
• 1 colher(es) de sopa de fermento em pó
• manteiga para untar e fubá o suficiente para polvilhar a forma
• açúcar e canela para polvilhar a gosto

Modo de preparo:

Coloque o fubá, o leite, o açúcar, o óleo, a manteiga e o sal numa panela média, aqueça. Sempre mexendo, deixe no fogo por uns 10 minutos, até a massa ferver e engrossar e o fundo da panela aparecer.
Retire do fogo e deixe amornar por uns 15 minutos. Aqueça o forno a 200ºC (médio-alto). Unte com manteiga e polvilhe com fubá uma assadeira grande, ou uma fôrma grande para pudim.
Quebre os ovos e coloque as gemas numa tigelinha e as claras na tigela da batedeira. Bata as claras em neve até conseguir picos firmes.
Quando a massa amornar, junte as gemas e o fermento e em seguida, com uma espátula e muita delicadeza, incorpore as claras.
Despeje a massa na fôrma e asse o bolo por uns 40 minutos, até que esteja crescido, bem dourado e firme (ao enfiar um palito no centro, ele deverá sair limpo).
Deixe o bolo esfriar, desenforme se for o caso, polvilhe com açúcar e canela.


    Alimente-se de amor todos os dias, com o tempo você perceberá que sua vida ficou muito mais leve.

E aí vem você, todo dengoso e cheiroso Roça meu pescoço, você é habilidoso Sabe sussurrar em meus ouvidos Palavras que fazem meus pêlos e...