domingo, 21 de agosto de 2011

Paz, enfim...

E assim chegamos ao fim

Dessa história que aos poucos levou você de mim

Quantas vezes tentei te buscar

Quantas vezes tive que recuar

Se o presente me cobra as respostas de ontem

Foi por que em algum lugar

Na ânsia louca de te encontrar

Não soube a forma certa de me manifestar

Amanhã quando outro dia nascer

E mais uma árvore florescer

Lembrarei que é preciso te esquecer

Para que eu possa voltar a viver

Longe da morte dos desejos em mim

Pois que são meus e não quero o seu fim

Vou encontrar a minha paz enfim...

Erotismo

O sol já desponta ao longe

Meus olhos preguiçosos recusam-se a abrir

Quero me largar, voltar a dormir

Na noite passada você esteve em meus sonhos

Meu corpo dá sinais que não foram sonhos singelos

Minhas mãos percorrem meu corpo como se fossem as suas

E me descubro totalmente nua

As fantasias já começam a se formar

Sinto o seu cheiro como se você estivesse aqui

Ao meu lado pronto para me amar

Dou vazão aos meus desejos

Uma música começa a soar nos meus ouvidos

É o som que sempre gosto de ouvir

Sinto cada pedaço de pele, macia desejosa

Direciono minhas mãos

Já não posso mais esperar

O corpo todo retorce, contorce

É desejo, é paixão

E em segundos, como um vulcão,

Ele se liberta em uma explosão

Depois tudo volta à calma e serenidade

O corpo relaxado se deixa rolar para o lado

Adormece...

Sim, mas...

Sim, mas e agora

O vento lá fora já foi embora

Meu pequeno amuleto em forma de espora

Desapareceu depois que cai no sono da hora

Meu peito apertado, chora, implora

A noite se vai, renasce a aurora

Meu amor virou cinzas de outrora

Sim, mas e agora

Deixas-me ou apenas me ignora...

Deixar Partir

Resolvi deixar você partir
Decisão difícil, mas necessária.
Ao entrar nesse quarto recheado de memórias
Fui ao chão como quem se transporta para outro tempo,
Momentos e sensações foram pontuando meu espaço,
Lágrimas de tristeza e alegria rolaram pela minha face.
As viagens no tempo têm esse poder mágico
De me levar a lugares e situações que jamais esquecerei.
As cicatrizes estavam ali mostrando que houveram brigas,
Palavras não ditas e silêncio cortante.
As travessuras simples e ingênuas
Também circularam por minha memória,
Como criança que sorri ao brincar na poça d’água
Lambuzei de doce os meus doces sonhos e desejos.
Tudo agora passa muito rápido e já não o vejo
Precisei deixar você partir para me erguer novamente.
Não o buscarei, nem o verei mais enquanto forma
Será apenas a lembrança, a saudade, a fantasia descomplicada.
Há momentos que é necessário cortar a linha invisível do sentimento
Deixar partir, libertar o que já não é mais possível sentir.
E um dia, quando o tempo na sua eterna sabedoria
Dar ao vento as palavras certas para me serem entregues,
Saberei que valeu apena o amor libertar
Para que em um novo momento eu seja capaz de amar.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Autoretrato


O papel vai revelando
O que nem sequer sabia existir
Os pontos vão se multiplicando
E em segundos uma imagem revelando
Os traços iniciais quase disformes
Tomam forma de um corpo
Que eu não conheço
Ele parece ser tão antigo
Que quase não o reconheço
Mas ele me pertence
Maltratado, amargurado... Um trapo
A luz revela a alma
Por isso não reconheço o corpo
Os olhos não têm o brilho de ontem
Os lábios não se abrem em um sorriso
De lado essa massa de pele e ossos
Curva-se rumo ao chão
O preto toma conta dessa escuridão
Na foto revelada apenas uma
Alma cansada da espera
E da angústia do desencontro
Esse autoretrato revela apenas
Uma alma esquecida
Do que um dia esperou da vida.






quinta-feira, 4 de agosto de 2011

O recomeço é sempre muito difícil
Sinto-me como a uma lagarta
Vou rastejando entre galhos e folhas
Começo a preparar meu casulo
Nesse tempo que ignoro a passagem
Sobrará apenas a necessidade de me recriar
Encolho-me quase a um feto
Debruçada por sobre meus delírios
De um sofrimento que jamais
Imaginei sentir e nunca desejei viver
Agarrada a uma fina linha de sustentação
Consigo ver apenas uma sombra
O consolo vem de sons que ao longe
Repercutem o que nunca quis ouvir
Vou regurgitando e remoendo
Os restos do que sobrou
Ainda é um escuro que padece de solidão
Mas apiedada de mim
Virá uma luz que mesmo exígua
Poderá salvar minha alma
Já sinto meu casulo se fechando
Já sinto meu corpo se reconstruindo
Levará o tempo necessário para se curar
Nessa viagem sem volta
Permitirei-me apenas esperar.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

A dor da alma é a pior dor que existe
É como uma navalha que dilacera a carne
Rasga cada pedaço de pele e deixa a mostra
O mais profundo sofrimento
A angústia que acompanha essa dor
Sufoca e não há ar que alivia o desespero
De buscar e não conseguir respirar
Faltam forças para me locomover
O chão desaparece e tudo fica solto no espaço
A vontade é de soltar o grito que ecoa por dentro
Mas por mais que você grite não existe voz
Não existe som é um vazio absoluto
O escuro toma conta de tudo e a luz desaparece
A dor da alma acaba com todas as reservas de energia
Que te auxiliam no exaustivo exercício de caminhar
Caminhar para nenhum lugar
Sinto-me como um saco vazio abandonado ao chão
Tudo foi retirado e vomitado
Estou seca como uma árvore no fim do verão
Que busca nas profundezas água para
Quem sabe libertar-me da solidão
Mas é sal que encontro e abre ainda mais as feridas
A dor maltrata como vilã de um filme de terror
Onde vivo a protagonista dos erros que eu mesma
Infligi-me onde maltratei os fantasmas de outrora
Na ingenuidade de pensá-los esquecidos e adormecidos
Mas não existe esquecimento no brotar da aurora
Todos os vestígios do dia de ontem se acumulam
E se regeneram agora como monstro travestido de dor
Que me devora quebrando todos os ossos
Não sobrou nada apenas um espectro
Que o tempo poderá varrer como poeira
Ou terá piedade e transmutará em outro ser.

E aí vem você, todo dengoso e cheiroso Roça meu pescoço, você é habilidoso Sabe sussurrar em meus ouvidos Palavras que fazem meus pêlos e...