domingo, 21 de agosto de 2011

Lamento de separação

Estou aqui no cume dessa montanha
Lá embaixo as ondas se quebram nas rochas
O vento como companheiro vem ao meu encontro
Seu toque é como se fossem suas mãos
A acariciar minha pele e brincar com meus cabelos
Existe um oceano a nos separar
O som que vem das ondas
É o lamento dessa separação
Aqui, tendo apenas essas rochas
Sob meus pés enraizados
Sei que não tenho forças para ir adiante
Liberar minhas asas e voar ao seu encontro
Não é apenas esse oceano que nos separa
Mas nossas vidas com suas particularidades
Um universo dentro de outro
Desejo e saudade não são suficientes
Somos duas estrelas separadas
Por anos luz de distância
Mas o vento e as ondas não se importam
Tentam com sua força manter acesa
Essa pequena chama que não se apaga
Eu estou aqui embalada pelas ondas e pelo vento
No solitário vazio do tempo...

Projeto: Poema Encaixado







Mãos...

Macias e delicadas

Marcadas e calejadas

Que acariciam...Tocam

Mãos que afagam


Mãos que embalam

Que prendem... Libertam

Que se unem em oração

Que secam a lágrima de uma paixão

Mãos que se abrem ao vento

Mãos...

Paz, enfim...

E assim chegamos ao fim

Dessa história que aos poucos levou você de mim

Quantas vezes tentei te buscar

Quantas vezes tive que recuar

Se o presente me cobra as respostas de ontem

Foi por que em algum lugar

Na ânsia louca de te encontrar

Não soube a forma certa de me manifestar

Amanhã quando outro dia nascer

E mais uma árvore florescer

Lembrarei que é preciso te esquecer

Para que eu possa voltar a viver

Longe da morte dos desejos em mim

Pois que são meus e não quero o seu fim

Vou encontrar a minha paz enfim...

Erotismo

O sol já desponta ao longe

Meus olhos preguiçosos recusam-se a abrir

Quero me largar, voltar a dormir

Na noite passada você esteve em meus sonhos

Meu corpo dá sinais que não foram sonhos singelos

Minhas mãos percorrem meu corpo como se fossem as suas

E me descubro totalmente nua

As fantasias já começam a se formar

Sinto o seu cheiro como se você estivesse aqui

Ao meu lado pronto para me amar

Dou vazão aos meus desejos

Uma música começa a soar nos meus ouvidos

É o som que sempre gosto de ouvir

Sinto cada pedaço de pele, macia desejosa

Direciono minhas mãos

Já não posso mais esperar

O corpo todo retorce, contorce

É desejo, é paixão

E em segundos, como um vulcão,

Ele se liberta em uma explosão

Depois tudo volta à calma e serenidade

O corpo relaxado se deixa rolar para o lado

Adormece...

Sim, mas...

Sim, mas e agora

O vento lá fora já foi embora

Meu pequeno amuleto em forma de espora

Desapareceu depois que cai no sono da hora

Meu peito apertado, chora, implora

A noite se vai, renasce a aurora

Meu amor virou cinzas de outrora

Sim, mas e agora

Deixas-me ou apenas me ignora...

Deixar Partir

Resolvi deixar você partir
Decisão difícil, mas necessária.
Ao entrar nesse quarto recheado de memórias
Fui ao chão como quem se transporta para outro tempo,
Momentos e sensações foram pontuando meu espaço,
Lágrimas de tristeza e alegria rolaram pela minha face.
As viagens no tempo têm esse poder mágico
De me levar a lugares e situações que jamais esquecerei.
As cicatrizes estavam ali mostrando que houveram brigas,
Palavras não ditas e silêncio cortante.
As travessuras simples e ingênuas
Também circularam por minha memória,
Como criança que sorri ao brincar na poça d’água
Lambuzei de doce os meus doces sonhos e desejos.
Tudo agora passa muito rápido e já não o vejo
Precisei deixar você partir para me erguer novamente.
Não o buscarei, nem o verei mais enquanto forma
Será apenas a lembrança, a saudade, a fantasia descomplicada.
Há momentos que é necessário cortar a linha invisível do sentimento
Deixar partir, libertar o que já não é mais possível sentir.
E um dia, quando o tempo na sua eterna sabedoria
Dar ao vento as palavras certas para me serem entregues,
Saberei que valeu apena o amor libertar
Para que em um novo momento eu seja capaz de amar.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Autoretrato


O papel vai revelando
O que nem sequer sabia existir
Os pontos vão se multiplicando
E em segundos uma imagem revelando
Os traços iniciais quase disformes
Tomam forma de um corpo
Que eu não conheço
Ele parece ser tão antigo
Que quase não o reconheço
Mas ele me pertence
Maltratado, amargurado... Um trapo
A luz revela a alma
Por isso não reconheço o corpo
Os olhos não têm o brilho de ontem
Os lábios não se abrem em um sorriso
De lado essa massa de pele e ossos
Curva-se rumo ao chão
O preto toma conta dessa escuridão
Na foto revelada apenas uma
Alma cansada da espera
E da angústia do desencontro
Esse autoretrato revela apenas
Uma alma esquecida
Do que um dia esperou da vida.






E aí vem você, todo dengoso e cheiroso Roça meu pescoço, você é habilidoso Sabe sussurrar em meus ouvidos Palavras que fazem meus pêlos e...