domingo, 28 de agosto de 2011

Sentimento

Um dia por você me apaixonei
Senti no corpo os tremores e as dores
Nunca me arrependi, mas chorei
Chorei as faltas
Chorei as palavras não ditas
Os beijos que nunca foram dados
Adormeci aos pés de Apolo
Na adoração primeira de uma fantasia
Que jurava um dia ver realizada
Mas esse deus nunca ouviu minhas preces
Brincou com meus sentimentos
Mandou seus filhos ao meu encontro
Maltratando meus dias com suas estripulias
Vago agora por essa nuvem sem forma e cor
Lá embaixo apenas figuras disformes
Da realidade apenas a grande saudade
De me ter permitido um dia soltar as amarras
Alçado o vôo que sabia perigoso
Mas por um tempo foi tranquilo
E iludir-me com tão pouco
Mostrou-me que existem consequências
Para atos não pensados, pouco considerados
Um dia por você me apaixonei
Mas o sonho se desfez e então acordei.

Descoberta

Esse vazio que toma conta de todo meu ser
Diz-me que alguma coisa aconteceu
E que não posso mais ficar onde estou
Existe um caminho a percorrer
Não posso mais alegar desculpas
Para minhas indecisões
Cada rasgo em minha pele
É uma ferida aberta buscando remédio
E esse remédio às vezes tem gosto amargo
Quando esse dia chegar ao fim
E quando os últimos raios
Desaparecerem no infinito
Compreenderei que foi necessário perder
Chegar ao mais profundo do meu ser
Para então me redescobrir
Arrancar o último pedaço de pele
E seguir enfrente não negando jamais
Quem sou e o que acredito e desejo.


Passarinho

Voe passarinho...
Você nunca quis fazer um ninho
Sempre houve algo muito maior
Seus sonhos e desejos você sempre os realizou
Nunca se importou com opiniões pequenas
E sempre se apaixonou
Você tinha na boca as palavras certas,
Fortes, conscientes e belas
Você importava-se com sua gente
Voe passarinho...
Nesse céu de amor em que você repousa agora
Sempre será aurora
Sua luz será a mais bela estrela
Que irá brilhar por nós
Nunca nos esqueceremos de sua voz
Voe passarinho...
Você nunca quis fazer um ninho

domingo, 21 de agosto de 2011

Apenas um dia

Você chegou de mansinho
Recebeu-me com carinho
Junto ao teu belo sorriso
Ofereceu-me uma taça de vinho
Embriagado por teus encantos
Fui sorvendo cada gota e sem perceber
Por você fui me apaixonando
Bebi de teus beijos doces
Alimentei-me de tua carne tenra e macia
Cada gesto seu era encantador
Adormeci em teus braços exausto de amor
A noite se foi e acordei para o dia
Apenas um bilhete encontrei na cama vazia
A beleza se encontra na fantasia
De realizar os mais secretos desejos
E depois evolar com a noite fria
Sem rastros para me encontrar
Foi apenas uma noite
Sem a intenção de mais um dia.

Chorar baixinho

Quando bate a saudade e a vontade
São as teclas do telefone apertar
Para sua doce voz escutar
Ouço outro som em minha cabeça
A voz rouca e em tom de ameaça
Que me chama a realidade
E me diz que pra nós dois
Já não existe mais esperança
Minha voz oculta não me dá permissão
Tão pouco amolece
Diante dos desejos do meu coração
Insisto querendo dar vazão
Aos delírios do que sinto e quero
Mas sei que será mais um engano
O jeito é abandonar esse desejo insano
Entender que agora estou sozinho
E me permitir chorar baixinho.

Fênix

E então ela ergueu-se das cinzas
Abriu suas belas asas
Alçou vôo e seguiu
Rumo ao seu destino...

Lamento de separação

Estou aqui no cume dessa montanha
Lá embaixo as ondas se quebram nas rochas
O vento como companheiro vem ao meu encontro
Seu toque é como se fossem suas mãos
A acariciar minha pele e brincar com meus cabelos
Existe um oceano a nos separar
O som que vem das ondas
É o lamento dessa separação
Aqui, tendo apenas essas rochas
Sob meus pés enraizados
Sei que não tenho forças para ir adiante
Liberar minhas asas e voar ao seu encontro
Não é apenas esse oceano que nos separa
Mas nossas vidas com suas particularidades
Um universo dentro de outro
Desejo e saudade não são suficientes
Somos duas estrelas separadas
Por anos luz de distância
Mas o vento e as ondas não se importam
Tentam com sua força manter acesa
Essa pequena chama que não se apaga
Eu estou aqui embalada pelas ondas e pelo vento
No solitário vazio do tempo...

E aí vem você, todo dengoso e cheiroso Roça meu pescoço, você é habilidoso Sabe sussurrar em meus ouvidos Palavras que fazem meus pêlos e...