O amor precisa de asas, não de pregos ou correntes...
O amor precisa de sol e horizonte, não de escuridão ou prisão...
O amor precisa ser amor e pronto, o resto é pura fantasia e ilusão...
Todos os poemas e crônicas apresentados nesse blog, salvo algumas excessões, são de autoria de JACQUELINE BATISTA. Os que não pertencem a essa autora recebem seus devidos créditos... LEI Nº 9.610, DE 19 DE FEVEREIRO DE 1998.
quarta-feira, 14 de março de 2012
quinta-feira, 8 de março de 2012
Ser Mulher...
Ser mulher é um presente de Deus...
Reclamamos, choramos, rimos, brigamos, gastamos horrores com roupas e sapatos que nem sabemos se vamos usar algum dia, e nunca temos a roupa certa para aquele momento especial, está sempre faltando alguma coisa no guarda-roupa.
Esperamos sim, uma ligação no dia seguinte e é claro que ela nem sempre vem, pelo menos não de quem nós desejamos...
O dia passa, a página vira e outro capítulo começamos a escrever com outras personagens...
O dia passa, a página vira e outro capítulo começamos a escrever com outras personagens...
Aguardamos ansiosas por aquele encontro e passamos horas nos preparando para ele...
Somos apaixonadas por aquele "príncipe" que aparece na TV, no cinema, fantasiamos...
SER MULHER é ser acima de tudo uma das mais belas criações de Deus...
SER MULHER é não ter vergonha de se apaixonar e se declarar, mesmo que isso não dê em nada...
Um pouco de lágrimas e amanhã já será outro dia...
SER MULHER...
Um pouco de lágrimas e amanhã já será outro dia...
SER MULHER...
É chorar quando tem vontade...
É chutar o balde quando a raiva chega...
É se derreter quando ganha um lindo buquê de rosas...
É achar maravilhoso quando é cortejada e tratada como uma princesa...
É lavar quilos de roupa, passar, limpar a casa e ainda estar linda à noite...
É se olhar no espelho e se orgulhar das marcas refletidas nele...
É se transformar quando preciso e ser apaixonada pelo próprio corpo, cuidando e respeitando esse invólucro que abriga sua alma...
É lutar com unhas e dentes para defender sua prole...
Enfim, somos normais (ou anormais...) e é por sermos tão simples e singelas assim que todos os homens são apaixonados e até podem fazer um charminho, mas não conseguem passar um dia sem a nossa doce companhia...
PARABÉNS a todas as mulheres que se jogam sem medo, que caem e se levantam para continuar sem olhar para trás, QUE SE ORGULHAM DE SER MULHER!
Agora, um presente de uma das mulheres que mais admiro e respeito, por tudo que ela foi, por tudo que ela escreveu. Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas ou apenas CORA CORALINA:
Sou mulher como outra qualquer.
Venho do século passado
e trago comigo todas as idades.
Venho do século passado
e trago comigo todas as idades.
Nasci numa rebaixa de serra
Entre serras e morros.
“Longe de todos os lugares”.
Numa cidade de onde levaram
o ouro e deixaram as pedras.
Entre serras e morros.
“Longe de todos os lugares”.
Numa cidade de onde levaram
o ouro e deixaram as pedras.
Junto a estas decorreram
a minha infância e adolescência.
a minha infância e adolescência.
Aos meus anseios respondiam
as escarpas agrestes.
E eu fechada dentro
da imensa serrania
que se azulava na distância
longínqua.
as escarpas agrestes.
E eu fechada dentro
da imensa serrania
que se azulava na distância
longínqua.
Numa ânsia de vida eu abria
O vôo nas asas impossíveis
do sonho.
O vôo nas asas impossíveis
do sonho.
...
Sendo assim, tenho a
consciência de ser autêntica.
Sendo assim, tenho a
consciência de ser autêntica.
Nasci para escrever, mas, o meio,
o tempo, as criaturas e fatores
outros, contra-marcaram minha vida.
o tempo, as criaturas e fatores
outros, contra-marcaram minha vida.
...
A escola da vida me suplementou
as deficiências da escola primária
que outras o destino não me deu.
as deficiências da escola primária
que outras o destino não me deu.
...
Apenas a autenticidade da minha
poesia arrancada aos pedaços
do fundo da minha sensibilidade,
e este anseio:
procuro superar todos os dias
Minha própria personalidade
renovada,
despedaçando dentro de mim
tudo que é velho e morto.
poesia arrancada aos pedaços
do fundo da minha sensibilidade,
e este anseio:
procuro superar todos os dias
Minha própria personalidade
renovada,
despedaçando dentro de mim
tudo que é velho e morto.
Luta, a palavra vibrante
que levanta os fracos
e determina os fortes.
que levanta os fracos
e determina os fortes.
Quem sentirá a Vida
destas páginas...
Gerações que hão de vir
de gerações que vão nascer"
destas páginas...
Gerações que hão de vir
de gerações que vão nascer"
segunda-feira, 5 de março de 2012
Crônica de domingo
“Dia de luz,
festa de sol e o barquinho a deslizar no macio azul do mar...”* Hoje não havia
mar e nem barquinho velejando ao longe, mas a manhã trouxe um céu azul e um sol
brilhantes. Fui despertada por pássaros e meu primeiro café da manhã em minha
nova casa tinha uma xícara fumegante de café com leite, pão crocante e
quentinho com manteiga, frutas e um queijo tão macio que derretia na boca.
Acompanhada de boa música e entre um quitute e outro me deixei levar em
devaneios do meu futuro.
Depois de um
tempo saboreando meu café da manhã fui às compras. Primeira parada feira livre,
um dos lugares mais interessantes para se começar o dia. Tendas coloridas,
pessoas num vai e vem constantes, disputa entre vendedores para atrair a
clientela. Algumas pessoas são clientes tão antigos que já se criou uma relação
quase que familiar entre eles. As senhorinhas estão lá escolhendo os melhores
produtos para o almoço do domingo, perguntam se tal produto foi colhido no dia,
pechincham e entre um sorriso e outro, uma compra e outra os carrinhos e as
sacolas, ecologicamente corretas, vão enchendo.
Escolher cada
produto, sentir o cheiro doce ou cítrico das frutas, a crocância das folhas que
foram colhidas bem antes do sol nascer, tudo fresco e delicioso. Conversar com
desconhecidos, ganhar uma receita de um prato que nem sei se algum dia terei a
competência de cozê-lo. Tudo isso é para
mim sempre uma oportunidade de aprender e crescer. Passar um tempo ali é um
privilégio para quem tem sensibilidade suficiente de descobrir na simplicidade
a beleza de cada indivíduo.
Saindo da
feira fui ao supermercado, geladeira e dispensa totalmente
vazias. Como estou voltando para meu antigo endereço, acabei reencontrando
velhos conhecidos e colocando o papo em dia. Uma compra que não deveria durar
mais que 20 minutos, acabou se estendendo um pouco mais, mas foi muito bom.
De volta para
casa, hora de colocar tudo no lugar e aproveitar meu momento de inspiração para
preparar um belo almoço. Primeiro passo abrir uma garrafa de vinho, porque é
preciso estar muito bem acompanhada para produzir bons pratos. Decidi por coxa
e contra coxa de frango temperadas com sal, pimenta, alho, azeite, limão,
tomilho e alecrim e um pouco de manteiga para dar brilho à carne, batata souté,
brócolis refogado no azeite de alho e salada de abobrinha menina e jiló (que eu
ADORO). Enquanto preparava meu almoço recebi a visita de minha irmã e de alguns
tios, outra garrafa de vinho foi necessária e enquanto o almoço estava sendo
preparado fui apresentar meu novo lar. Como o espaço é muito pequeno não
demorou muito e já estávamos sentados à mesa da varanda (que é maior que a
casa) batendo papo. Eu adoro ouvir histórias dos meus parentes que já se foram, por mim passaria horas ouvindo as histórias e descobrindo um pouco mais de mim.
Claro que meu
almoço foi um sucesso (rs...) e como não poderia faltar à sobremesa servi
sorvete de pistache com calda de morango. Entre uma lembrança e outra as horas
foram se passando e acabei me dando conta do quanto eu sentia falta disso.
Passei tanto tempo sozinha que já havia me esquecido de como é bom estar com
muita gente.
Um filme
(Sociedade dos poetas mortos, que já vi não sei quantas vezes) encerrou meu dia
e uma fala da personagem vivida por Robin Williams completou meu momento de
inspiração “Não lemos e nem escrevemos poesia porque é bonitinho. Lemos e
escrevemos poesia porque somos seres humanos. A raça humana está repleta de
paixão... poesia, beleza, romance, amor é para isso que vivemos...”
Não sei como
viver diferente, minhas emoções, minhas paixões são o sustento da minha alma.
Alma essa que se recusa a ser normal, que chora, ri, ama e não desisti mesmo
que leve um tombo aqui outro ali. E o meu barquinho vai navegando nas águas ora
calma, ora turbulentas da vida.
* trecho da
música “O Barquinho” de Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli
sexta-feira, 2 de março de 2012
Depois
de horas embalando coisas, jogando outras fora, dispensando algum tempo nas
boas recordações trazidas por algum objeto, chego à conclusão de que é incrível
como a vida da gente cabe em caixas.
Devo
dizer que levei um bom tempo até aceitar essa realidade. Juntei uma série de
desculpas para postergar essa mudança. Ao final percebi que cedo ou tarde ela
deveria acontecer e quanto mais tempo eu levasse mais eu sofreria.
Acordei
de um salto num dia desses e joguei a dúvida e a incerteza fora. Tem um caminho
a minha frente, gritando que preciso seguir enfrente, é só dar o primeiro
passo... Mas não é fácil, são muitas lembranças.
Nessa
casa, que hoje deixo, vivi momentos maravilhosos, vivi momentos tristes também.
A solidão foi uma de minhas melhores companheiras e devo dizer que ela foi
responsável por algumas realizações também. No silêncio ou no barulho de todos
os equipamentos ligados ao mesmo tempo, descobri a maravilha de se estar com
quem à gente gosta, nesse caso eu. Tudo bem pode ser meio narcisismo, mas
sempre gostei da minha companhia.
Nas
tardes, quando ficava absorta, apenas contemplando o verde que me envolvia e o
som maravilhoso de pássaros se preparando para dormir conseguia fazer longas
viagens, escrevia no tempo o que mais tarde viria se materializar em palavras
no papel. Quantas vezes me deixei adormecer ao sol, pelo simples prazer de
sentir seu calor e ser acariciada pela brisa que tocava minha pele e me trazia
sempre a sensação de liberdade, o cheiro adocicado da grama recém-cortada, os
sons do vento abraçando os galhos das árvores.
Viver
por tanto tempo rodeada de verde em seus diversos matizes sempre me trouxe
muita paz. Tomar o café da manhã observando o sol nascer e iluminar tudo em
volta. Ficar ali à mesa contemplando o dia e criando e imaginando tantas
coisas. Quantas vezes me peguei falando sozinha entre uma xícara de café e
outra. Mas é chegada a hora de deixar para trás esse momento da minha história.
Esse capítulo foi muito bem escrito e é preciso dar vazão aos que virão. Com
certeza o conteúdo dentro das caixas não chega nem perto do que se acumulou em
minhas memórias. As lágrimas não faltarão e vão molhar o meu rosto quando olhar
para trás e vir os cômodos vazios, mas vou fechar a porta e seguir meu novo
caminho.
Retratei em palavras o que
essa casa sempre foi para mim,
A
casa branca
A casa branca que brota
Com sua força e energia
Quadrada em sua forma
Ilhada por tantas árvores
Parece arrogante para quem
olha
Mas ao se entrar nela
Descobre no cheiro
E na delicadeza dos móveis
Uma suavidade que encanta
Quem nela entra
Sente-se acolhido, aconchegado
Adormece em seus braços
Com a segurança de se estar
Completamente abrigado
A casa branca da rua
De números confusos
Tem em cada canto um suspiro
E ás vezes um sussurro
São as revelações de tempos
idos
De saudades jamais
esquecidas
De momentos intensamente
vividos
Essa casa guarda meus
segredos
Essa casa por muito tempo
Alimentou meus sonhos e
desejos
A casa branca se vai
enquanto matéria
E se materializa enquanto
lembrança...
sábado, 25 de fevereiro de 2012
Mundo Virtual
Um sinal baixo e pulsante
É o aviso de que estás prestes
A entrar no mundo da fantasia
Um chamado...
E as portas virtuais se abrem
E lhe dão passagem
Não precisa de cinto
Embora perigosa
A viagem pode ser confortável e deliciosa
Não precisa de malas
Tudo do que precisar
Será materializado com um simples toque
Ou apenas um pensamento
Nessa viagem você não tem passado
Você não tem presente
E não se iluda
Você não terá futuro
Tudo pertence ao imaginário
Nesse espaço de tempo
Que podem durar horas
Ou meros segundos
Você se permitirá sonhar
Fantasiar... Flutuar na imaginação
Tocará pequenas nuvens
E se quiser poderá leva-las à boca
E delas se alimentar
No mundo virtual
Você se despe das vestes duras
Da realidade segura
E se transveste de leveza adocicada
Na nudez livre de preconceitos
E pudores desnecessários
Onde o que se deseja é
Invadir...
Penetrar...
Fundir...
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
Nessa vastidão de imensas dores e angústias
A revelação de um corpo alquebrado
Pelas lembranças de um passado
Cheio de confissões e segredos
Nas ruas de pedras da memória,
Empoeiradas pelo tempo,
Vejo-me gasta como uma peça rota
De roupa que não quer mais ser usada
Mas que se acomodou ao corpo
E dele não quer se desfazer
As algemas do medo insistem
Em manter-se atadas
Limitando meus desejos,
Bloqueando minha ânsia pelo fazer
E a minha enorme necessidade de viver.
A revelação de um corpo alquebrado
Pelas lembranças de um passado
Cheio de confissões e segredos
Nas ruas de pedras da memória,
Empoeiradas pelo tempo,
Vejo-me gasta como uma peça rota
De roupa que não quer mais ser usada
Mas que se acomodou ao corpo
E dele não quer se desfazer
As algemas do medo insistem
Em manter-se atadas
Limitando meus desejos,
Bloqueando minha ânsia pelo fazer
E a minha enorme necessidade de viver.
Acordei com muita disposição
Abri as gavetas, revirei as caixas
Dos armários fui retirando tudo
Não sobrou nada guardado ou escondido
Separei o que me agradava
Peças comprometidas pelo tempo
Não vacilei, mandei embora
Joguei tudo fora...
Amontoados de coisas velhas e sem uso
Vi crescer em determinados cantos
Em meio a tudo isso me vi
Nas cores escuras de algumas roupas
A silueta de alguém que passou um bom tempo nas sombras
As solas gastas dos sapatos
Lembraram-me que muito caminhei
E entre um obstáculo e outro não desisti
Sacos cheios de histórias
Caixas repletas de sentimentos e lembranças
No quarto cheio de memórias
Um pequeno objeto e sua luz intermitente
E nas suas pequenas interrupções
A necessidade de recomeçar sempre
Construir, se permitir, evoluir
Esse objeto de tantas formas
Chama-se vida... A minha vida.
Abri as gavetas, revirei as caixas
Dos armários fui retirando tudo
Não sobrou nada guardado ou escondido
Separei o que me agradava
Peças comprometidas pelo tempo
Não vacilei, mandei embora
Joguei tudo fora...
Amontoados de coisas velhas e sem uso
Vi crescer em determinados cantos
Em meio a tudo isso me vi
Nas cores escuras de algumas roupas
A silueta de alguém que passou um bom tempo nas sombras
As solas gastas dos sapatos
Lembraram-me que muito caminhei
E entre um obstáculo e outro não desisti
Sacos cheios de histórias
Caixas repletas de sentimentos e lembranças
No quarto cheio de memórias
Um pequeno objeto e sua luz intermitente
E nas suas pequenas interrupções
A necessidade de recomeçar sempre
Construir, se permitir, evoluir
Esse objeto de tantas formas
Chama-se vida... A minha vida.
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