segunda-feira, 28 de maio de 2012

A morte do amor que não constrói


Mais um dia se foi
As últimas luzes desceram no horizonte
Algumas estrelas brilham aqui e ali
O céu escurece não há lua nessa noite, apenas frio
Vi os ponteiros do relógio 
Caminharem lentamente durante todo o dia
E eles continuam...
Os sons vão silenciando, a vida urbana dorme
Mas estou alerta, desperta...
Meus olhos não atendem meu desejo 
E o sono aos poucos também desaparece
Mais uma noite me verá aqui encolhida
Abraçada apenas à gélida solidão
Não quero sair
Vejo raízes enlaçarem meus pés
Amarrando-os e enterrando-os no chão
Meu corpo perdeu seus sentidos
Não existe mais dor, frio ou fome
Os músculos endurecidos
Vão tomando forma de pedra
A madrugada me encontra materializada em rocha
O coração agora pulsa lenta e silenciosamente
Os pulmões já não recebem mais ar
Não é mais necessário
Não verei o novo dia
Com a noite partirei
Encharcada de saudade
Transformada em lembrança
De carne e sangue a pedra e pó
Volitando me transformo em estrela
O avermelhado do dia colore a manhã
O vento sopra e o frio emudece
O corpo se fecha como concha
E não mais de amor padece.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Dissipar

Tomei uma decisão
E por mais dolorosa que ela seja
Não vou me demover
Mesmo que isso me faça sofrer
E que demore muito para te esquecer
Porque é sempre assim
O dia amanhece e o primeiro pensamento é você
Ao longo do dia entre um afazer e outro
Acalmo minha mente e silencio minha alma
Não pensar em você me acalma
Mas à noite no silêncio do meu quarto
Antes que o sono venha me acalentar
O último pensamento do dia é em você
Pode parecer inútil essa luta
Poderia simplesmente ir levando
E as migalhas recebidas ir aproveitando
Mas eu mereço muito mais que isso
E recuso-me a continuar nesse vício.

quarta-feira, 9 de maio de 2012


A madrugada silenciosa
Me abraça com tanta força
Que chego a sufocar
Já perdi a noção do tempo
O relógio parece adormecido no canto
Abro a janela na esperança de respirar
O frio chega com a brisa que sopra
Retraio os músculos, mas permaneço ali
Aberta à solidão da noite
O Céu de estrelas é um emaranhado de desenhos
Ali, perdida em minhas memórias,
Uno cada estrela e crio meus movimentos
Alguns sons se aproximam
Sussurrando que não há solidão completa
Que há vida nessa inconstância
Nessa existência quase vazia de sentimentos
Sinto o cheiro do dia que chega lentamente
Fecho a janela, me recomponho
Recomeço... Porque tudo é um eterno recomeço
A noite se esvai e com ela meu ontem
Partido, quebrado, remoído...
Outro dia...
Mais um dia!



Final de outono
Assim como as árvores
Sinto-me também quase sem folhas
Volto no tempo na fantasiosa esperança
De encontrar a tão desejada solução
Para aliviar de vez essa angustia
Que insiste em manter-se atada ao meu coração
Houve dias em que o sorriso farto
Deu luz a meus olhos cansados, 
Iluminando as marcas de minha face
Houve dias em que lágrimas correram 
E não as sequei, deixei-as assim
Foram elas que lavaram a poeira das dúvidas...
Desilusões... Fantasias... Tristezas... Alegrias...
Com elas cantei aos quatro cantos a felicidade momentânea
Festejei as migalhas que tão pouco me alimentara
As noites insones foram palco para longas
Colchas de palavras tecidas na mais profunda solidão
E aconchegada a essa colcha
Dou-me o direito de sair de meu corpo
Enquanto o visualizo velho e cansado
Por trás de sorrisos e esperanças
Apenas um ponto de luz na escuridão
Que abraçou com cuidado esse pequeno coração
O retorno no tempo não dá mostras de solução
Tão pouco garante a coragem de desistir
Daquilo que não passou de devaneios
Flashes de pequenos desejos de
Uma felicidade nunca materializada
O frio que se aproxima congela
Minhas forças e retém meus passos
Descuidar-me agora em que me encontro tão frágil
Apenas me lançará ao mais profundo poço
Não de lamentos ou sofrimento
Apenas à solidão que sentada em sua grande poltrona
Observa quieta e tranquila minha desesperada luta
Ela sabe que o esforço é em vão
O botão deverá ser apertado
Cabe a mim tocá-lo,
Mas quando?

terça-feira, 10 de abril de 2012

Crônica do dia

     Todos os dias, quando somos brindados com o presente de mais um novo dia, não nos damos conta do quanto a vida nos é importante e como ela se revela em cada gesto, atitude, em cada sorriso que se abre ou em um simples bom dia, dito através da alma e com a sinceridade do coração.
Estamos sempre correndo em busca de algo que nem sempre sabemos o que é e nem se nos fará tão bem quanto imaginamos.
     Nos sentimos incomodados quando a solidão vem nos visitar e nem se quer damos a ela a oportunidade de entrar e nos revelar pequenos detalhes de nós mesmos que insistimos em manter escondidos. Estar só não é bom, é preciso estar sempre em ação, acolhendo e recolhendo números de indivíduos que nem sempre estarão conosco e nem se tornarão nossos amigos, mas os números falam por si, quanto mais melhor. É sempre a quantidade em detrimento da qualidade.
     Não temos tempo para parar e olhar em volta. Observar a natureza e o que ela tem para nos ensinar ficou demodê, é inevitável correr, mas correr para onde, para quê? 
    Hoje as praças estão sempre vazias, ou estão com indivíduos que se perderam no caminho, que ameaçam o ir e vir distraído e angustiado das pessoas. Estão todos vivendo seus amontoados de problemas, estão buscando soluções ou se entregando ao vazio. Não olhamos mais nos olhos, pois esses sempre nos revelam algo e essas revelações nem sempre são o que queremos ver, nos incomodam.
     Estamos falando o tempo todo e nem sempre o que sai de nossa boca é o que realmente vem do coração. Nos acostumamos a falar, a repetir mantras, frases de autoajuda, falamos, falamos e nem sempre falamos o que realmente é necessário. Estamos sempre arrumando desculpas para não estarmos com as pessoas que dizemos nos importar. É muito fácil dar desculpas, mentir ou omitir situações que nos desagradam.
     Nossa cabeça vira um fervilhar de pensamentos, nem sempre bons. Nos causamos danos horríveis através de nossos pensamentos, pois acreditamos que eles são verdadeiros e sem vigilância e racionalidade, as interpretações, sempre negativas, as histórias e fantasias que criamos e acreditamos, nos deixam sempre muito infelizes.
     A cada dia novas formas tecnológicas chegam para facilitar nossa vida. Redes sociais são criadas e estamos lá, nos relacionando com tanta gente que nunca iremos encontrar, mas isso faz parte da evolução. Estar conectado com o mundo facilita muito a comunicação, ajuda a quebrar ditaduras, mostra as atrocidades vividas por pessoas que nem sequer sabiamos que existiam e muito menos como existiam. Tudo isso é muito importante, nos coloca mais perto do que deveria ser realmente um ser humano, preocupado e solidário com o outro. Precisamos acompanhar o crescimento e nos atualizar sempre, mas é preciso ter consciência de que tudo que fazemos ou dizemos tem um efeito, toda ação requer uma reação e precisamos estar preparados. 
     Sempre haverão perguntas para tudo e para todos e nem sempre as respostas serão as que realmente queremos ouvir.

Estrelas

Encobertas por nuvens escuras
Brilham incontáveis estrelas
Nem sempre as olhamos com o devido valor
As ignoramos na maior parte do tempo
Estrelas simbolizam o amor para os românticos
Objetos de estudo para os cientistas
Corpos celestes a milhões de anos luz
Estrelas são também mágicas
Deitados a observá-las
Descobrimos cavaleiros alados
Dragões, centauros, guerreiros...
Lá de cima elas nos observam
Nos estudam e, às vezes,
Até simpatizam conosco
Cada estrela com sua luz refletida
Embelezadas por tantas cores
Cresce, cresce, cresce
E explode, morre e
Sua poeira vaga pelo infinito
Não lembramos de sua agonia
Apenas de sua beleza
E as retratamos em cantos e versos
Como o fez Cruz e Souza ao escrever:
"Finas flores de pérolas e prata,
Das estrelas serenas se desata
Toda a caudal das ilusões insanas."
Estrelas, restos de poeira
Ou abrigo de civilizações humanas.

Bom mesmo é achar que a vida é um conto
E nesse tecer de pontos 
Vamos descobrindo o verso e o anverso
de sentir-se palavras ora grafadas
Ora pensadas, ora soltas no tempo
E com apenas um sopro
Levadas para longe pelo vento.
Bom mesmo é achar que tudo vale a pena
E se a alma for pequena
Pequena também será a viagem...
Bom mesmo é sentir...
Resistir...
Incutir...
E acima ou apesar de tudo SORRIR!

E aí vem você, todo dengoso e cheiroso Roça meu pescoço, você é habilidoso Sabe sussurrar em meus ouvidos Palavras que fazem meus pêlos e...