Imagine escrever um poema para retirar da cabeça quem se ama.
E ao longo de todo processo você se apaixona ainda mais por ele...
Todos os poemas e crônicas apresentados nesse blog, salvo algumas excessões, são de autoria de JACQUELINE BATISTA. Os que não pertencem a essa autora recebem seus devidos créditos... LEI Nº 9.610, DE 19 DE FEVEREIRO DE 1998.
terça-feira, 10 de julho de 2012
O poeta
O poeta morre a cada entardecer
Afundado em suas angústias e inquietações
Com a alma dilacerada e o corpo alquebrado
Nas feridas abertas de suas frustrações
O poeta morre a cada anoitecer
No lamento à lua com a face encharcada de lágrimas
Desejando o brilho das estrelas por companheiras
Nesse silêncio que rasga e embala a noite inteira
O poeta invade a madrugada
Entre um copo e outro na boemia solitária
Diante de uma folha em branco
As letras fazem uma dança sensual a sua frente
Não permitem que as toquem e evolam pelo ar
O poeta renasce a cada alvorecer
Despido do ontem e esmaecido com a certeza
Latejante nas têmporas de ter sobrevivido
E ao lado da fumegante xícara de café
Desperta seus sentidos e se reconstrói
Se veste, abre a janela e respira a sua fé.
quinta-feira, 5 de julho de 2012
Um bicho... um homem
Na praça ao lado de casa
Escorado em sacos de lixo
Confundido com terra e poeira
Encontra-se um ser quase invisível
A princípio fica difícil sua definição
Para alguns será um bicho
Para outros um maltrapilho imundo
Seu mau cheiro incomoda a mulher fina e elegante
Seu mau jeito assusta aos que por ele passa
De longe parece um homem
De perto é apenas um menino
Que de tão sujo e faminto
Acabou perdendo seus traços
Talvez um dia tenha sido bonito
Talvez um dia tenha olhado as estrelas
E até desejado e sonhado com um futuro
Mas ser pobre em país de milionários
Vagabundo e corruptos
Fez de seus sonhos uma dura realidade
Viciou-se em dor e para alimentá-la
Desceu ao inferno e junto a Hades
Descobriu as pedras e os pós
E camuflou suas duras verdades
Ele é só um menino cheio de escaras
Que ainda pode ser salvo dessas garras
Mas eu não faço nada, apenas olho
Meus problemas (ridículos)
Não me permitem olhar, enxergar
Que na imundice da praça
Há um ser que só precisa
De uma mão e talvez um pedaço de pão
Pão da vida
Pão que dá a vida.
terça-feira, 26 de junho de 2012
Adorar
Adoro olhar o teu sorriso
Os olhos brilham,
E como em um espelho
Sua alma reflete.
Adoro trocar gracejos,
Piadinhas, amenidades.
Adoro ser o rosto
Que adorna suas fantasias.
Adorar
Esse verbo transitivo
Que só aumenta
O meu desejo
De te complementar.
Adoro
Te adorar.
Os olhos brilham,
E como em um espelho
Sua alma reflete.
Adoro trocar gracejos,
Piadinhas, amenidades.
Adoro ser o rosto
Que adorna suas fantasias.
Adorar
Esse verbo transitivo
Que só aumenta
O meu desejo
De te complementar.
Adoro
Te adorar.
sexta-feira, 1 de junho de 2012
Busca
A cada dia desejo intensamente sua presença
Um olhar distraído, um sorriso iluminado,
Um beijo roubado, um abraço... Meros encontros...
Porque nada chega perto do gosto que trago na boca,
Do cheiro que parece enraizado nos pulmões,
Da lembrança de algo que não sei,
Mas que dói no peito quando a noite me abraça.
Esse rosto que nunca vi, mas que me fala em sonhos,
Que me conforta nos momentos de dor.
Quanto tempo mais teremos que esperar
Para enfim nos encontrar e juntos ficar?
Eu que o espero desde a minha meninice
E você nunca estava nos braços que me abraçaram,
Nos olhos que me viram sem enxergar,
Nos lábios que os meus beijaram
E que nunca conseguiram me saciar.
O que nos fizemos para ficarmos assim
Separados por massas inteiras sem
Talvez uma única chance de nos tocar?
Tantas perguntas lançadas no tempo
Na intenção de que apenas uma
Possa até você chegar e talvez,
No assovio do vento ou cantar
Da cotovia que anuncia o dia
O encanto se quebre, o véu descerre
E os olhos finalmente se enxerguem.
Eu
Estado único de amor
Estado único de ser
Estado único de viver
Eu
Encontro de uma única alma
Em vários corpos emprestados
Eu
Que cresço e apareço
Nesse universo de tantas
Possibilidades e necessidades
Eu
Que nem sempre compreendida
Passeio por esses caminhos
De pedras, flores e espinhos
Cresço... Apareço
Torno-me um ser
Às vezes humano
Às vezes nebulosa
Eu
Que às vezes sou ponto e vírgula
E em momentos importantes
Sou ponto final.
(Poema tecido e lido no SARAU GOTAS POÉTICAS - 31-05-2012)
Assinar:
Postagens (Atom)
E aí vem você, todo dengoso e cheiroso Roça meu pescoço, você é habilidoso Sabe sussurrar em meus ouvidos Palavras que fazem meus pêlos e...
-
"Diante do perigo, a holotúria se divide em duas: deixando uma sua metade ser devorada pelo mundo, salvando-se com a outra metade. ...
-
Fim de semana sossegado, entre visitas familiares, almoço na casa de mãe, filme e shows em DVD. E por falar em show, ass...
-
Sempre andei pela periferia dos sentimentos Não me aportando em nada ou ninguém Dei azar de ancorar em um espaço disforme Quase sucumb...