Devoro as horas noturnas e as engulo com gula
Bebo os minutos e como bicho selvagem
Farejo o tempo na esperança
De encontrá-lo desprotegido e desatento
Enlouquecida saio para a escuridão
Deixo as névoas da noite me cobrir
Deparo-me com a exuberante lua
Tão cheia e majestosa em sua veste prateada
Sua luz parece querer penetrar minha alma
Me desequilibro diante de sua magia
Sou fuzilada pelo brilho das estrelas
Caio no vácuo de minha existência
Despedaço-me em fragmentos
Sou recolhida e cuidada
Os minutos sopram melodias
Vou acalmando meu lado bicho
Agora sou apenas um espectro
Deformado enquanto ser
Para a luz do dia ver-me, de novo, renascer.
Todos os poemas e crônicas apresentados nesse blog, salvo algumas excessões, são de autoria de JACQUELINE BATISTA. Os que não pertencem a essa autora recebem seus devidos créditos... LEI Nº 9.610, DE 19 DE FEVEREIRO DE 1998.
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
Sou negro
Dizem que tenho a pele negra
Mas quando olho para ela
Não consigo enxergar essa cor
Ela tem tons de chocolate com um toque de café
Muitos me olham com asco
Sei que pareço um deficiente
Para aqueles ditos inteligentes
Não quero ofender, mas que eu saiba
A cor do meu sangue é igual a sua
Um vermelho denso e brilhante
Meus dentes são tão brancos
Meus cabelos, para muitos pixaim,
É motivo de orgulho para mim
Seu desdém, às vezes, me magoa,
Mas tenho para mim que você
Em algum momento de sua
Tão divertida existência
Gostaria de ser como eu
Já nasci com o gingado no corpo
Rebolo meus quadris com suavidade
Meus pés deslizam ao som do cavaquinho
Do agogô e do tamborim
Tenho o sorriso solto e meus antepassados
Foram reis e rainhas repletos de histórias
Talvez por isso tenhamos sido aprisionados
Mas apenas o corpo sofreu os flagelos
Da sua pequenez e ignorância
Nossa alma é livre
Nossos mitos yorubás
São nossos protetores e guias
Sou negro e orgulho-me de sê-lo
Minha história vem antes da sua
E por mais que você me ignore
Sou presente, tenho presença,
Sou forte e desejado
Sou negro, sou força, sou fruto
Da natureza que me dá vida
Na esperança constante que a proteja
Cometo erros assim como você
E pago bem mais caro pelo simples fato
De ser negro
Não tenho raça, tenho alma.
E os matizes amarronzados da minha pele
Não deveriam ser as únicas formas de nos
Diferenciar e ignorar.
sexta-feira, 19 de outubro de 2012
Um dia qualquer apenas ouvindo o vento
Ele chega e se acomoda ao meu lado
Nossos olhos se encontram
E o sorriso brota em nossos lábios
Nenhuma palavra é dita
A eletricidade é intensa
Sinto minha pele arrepiar
Não sei por quanto tempo ficamos assim
Nossa comunicação se dá por gestos
Caminhamos para lados opostos
Mas onde quer que estejamos
Nossos olhares se cruzam
Trocamos confidências
Com o arquear de nossas sobrancelhas
Ficamos nesse jogo silencioso
E ao final quando tudo se aquieta
Nos reencontramos
Nos tocamos
Nos sentimos
Sem palavras, apenas silêncio
A voz dos olhos
E o melodioso toque das bocas
E nos desfazemos
Como fumaça no ar
Ele chega e se acomoda ao meu lado
Nossos olhos se encontram
E o sorriso brota em nossos lábios
Nenhuma palavra é dita
A eletricidade é intensa
Sinto minha pele arrepiar
Não sei por quanto tempo ficamos assim
Nossa comunicação se dá por gestos
Caminhamos para lados opostos
Mas onde quer que estejamos
Nossos olhares se cruzam
Trocamos confidências
Com o arquear de nossas sobrancelhas
Ficamos nesse jogo silencioso
E ao final quando tudo se aquieta
Nos reencontramos
Nos tocamos
Nos sentimos
Sem palavras, apenas silêncio
A voz dos olhos
E o melodioso toque das bocas
E nos desfazemos
Como fumaça no ar
Vontade de sentar a beira mar
Meus pés deixar a água tocar
A brisa meus cabelos embalar
Soltar suspiros no ar
E permitir que o silêncio venha me ninar
Vontade...
Vontade de simplesmente me largar
E nas água profundas meu corpo mergulhar
Despir-me das fantasias e para o sol cantar
Elevar meu espírito e com o vento voar
Vontade...
Quantas vontades no ser humano há
E nem todas possíveis de se realizar.
segunda-feira, 15 de outubro de 2012
Medo
Como um véu negro deslizando sobre a pele
Causando arrepios, acelerando minha pulsação
Olhos arregalados na eminência do contato
Tateio o vazio, meu corpo estremece
Sinto frio, como se lâminas me atingissem
Os ouvidos aguçados na esperança
De escutar alguma coisa
Vislumbro uma sombra e
me desespero...
Deparo-me com o vazio
O silêncio é cortado por batidas
Acredito ser alguém à porta
Aguço ainda mais os ouvidos
Grito esperando ser ouvido
Mas nada acontece
Respiro como se o ar tivesse me abandonado
E percebo que as batidas alucinadas
Era meu coração
Eu já o sentia na boca
A noite escura e desequilibrada
Parece brincar com minhas emoções
Os minutos pingando em horas
Meus nervos em frangalhos
Ficam alerta com qualquer movimento
As mãos tremem, o suor é pegajoso
Não consigo ver nada, o silêncio revolve
Cada centímetro a minha volta
Fareja-me como um cão
Consigo ver suas presas
E os seus olhos negros em mim
Um raio corta minha visão
A aurora desponta
O cão desaparece, respiro
Lentamente volto ao meu estado normal
O medo como criatura apavorante
Rondou-me na noite passada
E como amante sedento sugou minhas forças
Deslizo para o chão, exausto
Fecho os olhos e num último suspiro
Adormeço...
quinta-feira, 11 de outubro de 2012
E fui deletando tudo
Sem pensar ou interrogar
Apaguei sem dó nem misericórdia
Foi tudo para o lixo
Abri pastas lancei um olhar de desdém
E apaguei no ritmo alucinado
De um Jimi Hendrix sendo engolido
Por seus demônios em Peace in Mississipi
Paz é tudo o que não encontro
Mas a sensação de jogar fora
O que me consome em pesadelos
Traz um certo alívio e as emoções
Ora tranquilas e serenas
Ora enlouquecidas e sangrentas
Apazígua minha alma
Que perdeu o curso e gira
Em seu eixo como se desamparada
Não lamento nada
Não me arrependo de nada
Na tela um cursor que pisca
Silenciosa e pacientemente
Cruzo as mãos e sigo o ritmo
Respiro como se há muito
O ar me faltasse
Existe um silêncio ao meu redor
Nem o tempo se arrisca a me confrontar
Mergulho no meu infinito
Tento deletar as lembranças
Imagens do que transformou-se em passado
E me descubro impotente
Posso jogar fora o que me é palpável, visível
Mas jamais o que se tatuou em memória
Porque faz parte de minha história
Sem pensar ou interrogar
Apaguei sem dó nem misericórdia
Foi tudo para o lixo
Abri pastas lancei um olhar de desdém
E apaguei no ritmo alucinado
De um Jimi Hendrix sendo engolido
Por seus demônios em Peace in Mississipi
Paz é tudo o que não encontro
Mas a sensação de jogar fora
O que me consome em pesadelos
Traz um certo alívio e as emoções
Ora tranquilas e serenas
Ora enlouquecidas e sangrentas
Apazígua minha alma
Que perdeu o curso e gira
Em seu eixo como se desamparada
Não lamento nada
Não me arrependo de nada
Na tela um cursor que pisca
Silenciosa e pacientemente
Cruzo as mãos e sigo o ritmo
Respiro como se há muito
O ar me faltasse
Existe um silêncio ao meu redor
Nem o tempo se arrisca a me confrontar
Mergulho no meu infinito
Tento deletar as lembranças
Imagens do que transformou-se em passado
E me descubro impotente
Posso jogar fora o que me é palpável, visível
Mas jamais o que se tatuou em memória
Porque faz parte de minha história
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