terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Brincar com o vento
Saltar, dançar, voar
Transpor as barreiras do tempo
Viagem que me liberta do ventre que me abriga
Rasgo-me em partes disformes
Desfaço-me de vestes antigas
Rejuvenesço no brilho ofuscante  da vida
Que me deseja como amante
E eu me solto nos seus braços
O coração agora bate acelerado
E já estou pronta
Aspiro o ar delicioso e frutado
Lanço um último olhar aos restos
Que pertencem agora ao passado
Sigo na leveza do inesperado
Mas eternamente por mim desejado

Meninas...  Mulheres

Não cresceram ainda, são meninas

Mas se comportam como adultas

Uma veste o vestido da mãe

E se olha no espelho e joga os ombros para trás

A outra sobe nos sapatos de salto

Mal conseguindo se equilibrar

Com as mãos na cintura

Tenta, aos tropeços, desfilar

Reviram a caixa encantada

Deixando uma gargalhada solta no ar

Uma usa no pulso um grande relógio

A outra, no pescoço, todas as pérolas

Mal conseguem manter-se de pé

E acreditam que assim já viraram mulher

O batom desenha linhas tortas

E deixam as bocas lambuzadas

Mas sentem-se entusiasmadas

Meninas de olhos grandes

Cabelos soltos e livres

Apreciem o reflexo da criança

No espelho do tempo que diz:

Sejam crianças, meninas

Sapecas e faceiras

Aproveitem o tempo das brincadeiras

Pois no tempo certo a transformação acontecerá

E a menina em mulher se tornará.
                         

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012


Era uma quarta-feira
Quando me foi dada à luz
E a lua brilhava em Libra
Dizem os astros que
Sob a influência da lua
Sou um ser agradável e charmoso
Quem dera os astros
Detivessem o poder da verdade
E lá se vão 46 anos de vida
Dias de sol... Dias de chuva
No caminho, muitas pegadas
Algumas profundas, outras leves
De qualquer forma
Caminhar sob a minha realidade
Faz com que minhas fantasias
Sejam cheias de cor e luz
Tenho mais a agradecer do que reclamar
Não peço nada a não ser
Que Deus seja paciente comigo
Pois que sou desobediente e teimosa
Uma sagitariana que não nega
Seu lado animal quando necessário
E dificilmente mantem sua língua dentro da boca
Os que me conhecem sabem lidar com meus defeitos
Os que acham que me conhecem criticam-me
Os que gostariam de me conhecer têm receio
Sugiro que se aproximem
Aprendam a enxergar além
Quem sabe nos tornamos amigos
E não meros conhecidos
Como acredito na eternidade
Vou vivendo minhas muitas idades
Talvez um dia me seja dado à dádiva
De nunca mais voltar
Aí então saberei que aprendi
Cresci, evolui e poderei enfim
Aproveitar os doces sabores
Da arte de viver
Um brinde a vida,
A minha VIDA!


terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Fui...
Vi...
Não gostei...
Voltei...
Girei em meu eixo
E retornei ao ponto que parti
Comecei de novo
Um pé a frente do outro
Um tropeço aqui, uma pedra ali
Sol, chuva, ventania
Na sombra de minhas fantasias
Parei e me refestelei
Beijei com gosto aquele
Que no caminho encontrei
Deixei pegadas para
Lembrar-me de onde passei
E fui...
Passos largos em alguns momentos
Passos lentos apreciando o tempo
Mas se houver necessidade de retornar
O farei sem pestanejar!

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Medo


Como um véu negro deslizando sobre a pele

Causando arrepios, acelerando minha pulsação

Olhos arregalados na eminência do contato

Tateio o vazio, meu corpo estremece

Sinto frio, como se lâminas me atingissem

Os ouvidos aguçados na esperança

De escutar alguma coisa

Vislumbro uma sombra e me desespero...

Deparo-me com o vazio

O silêncio é cortado por batidas

Acredito ser alguém à porta

Aguço ainda mais os ouvidos

Grito esperando ser ouvido

Mas nada acontece

Respiro como se o ar tivesse me abandonado

E percebo que as batidas alucinadas

Era meu coração

Eu já o sentia na boca

A noite escura e desequilibrada 

Parece brincar com minhas emoções

Os minutos pingando em horas

Meus nervos em frangalhos

Ficam alerta com qualquer movimento

As mãos tremem, o suor é pegajoso

Não consigo ver nada, o silêncio revolve

Cada centímetro a minha volta

Fareja-me como um cão

Consigo ver suas presas

E os seus olhos negros em mim

Um raio corta minha visão

A aurora desponta

O cão desaparece, respiro

Lentamente volto ao meu estado normal

O medo como criatura apavorante

Rondou-me na noite passada

E como amante sedento sugou minhas forças

Deslizo para o chão, exausto

Fecho os olhos e num último suspiro

Adormeço...


segunda-feira, 26 de novembro de 2012


Não sei, só sei que foi assim: 
Eu virei a esquina, 
Olhei para cima
E lá estava ele,
Charmoso e sorridente,
O cabelo desalinhado
Os olhos azul acinzentados
E a mão estendida para mim
Fazer o que,
A não ser, sorrir
Aconchegar-me a ele
E juntos partir...

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Ai, moço bonito
Perco até o gingado quando você me olha assim
Se me vem ao alvorecer nem percebo o sol nascer
Embriagada que fico só por te ver
Suas passadas seguras, respiração ofegante
Essas pernas, ai que pernas
As minhas chegam quase a tremer
Mas se me vens ao anoitecer
Travo uma briga com a lua atrevida
Que vem toda cheia de vida
Para o teu olhar de mim roubar
Ela sabe o poder que tem
Pois te seduz até no reflexo do mar
E do alto de meus pensamentos lascivos
Fico a me perguntar: o que pensas ao caminhar?
Me ponho logo a fantasiar
Ai, moço bonito
Sinto o teu cheiro no ar
Cheiro de macho que tem charme no olhar
O suor exalando cedro e o frescor do hortelã
Pisca para mim com esses olhos de avelã
Da minha janela fico a sonhar
Vejo teus braços lançados ao vento
Correndo para me encontrar
Ai, moço bonito
Torço para o tempo parar
Se me desalinho toda só ao te ver passar 
O que seria de mim, se de verdade,
Viesses me abraçar
Ai, moço bonito
Nem quero imaginar, melhor sonhar...



E aí vem você, todo dengoso e cheiroso Roça meu pescoço, você é habilidoso Sabe sussurrar em meus ouvidos Palavras que fazem meus pêlos e...