domingo, 26 de maio de 2013

                       (Foto: "Série: Sombras" Jacqueline Batista) 


Vou caminhando
Retirando os espinhos e limpando as feridas
Tropeçando nas pedras
Equilibrando-me com parcos apoios
A distância percorrida revela-me
Mais do que havia imaginado
Pinturas borradas de uma
Paisagem que imaginava tão bela
Retroceder no tempo
Na ingênua vontade de recuperar
Um tempo que já partiu
E que minhas retinas fechadas não viu

Quando você veio naquela manhã de inverno
Não podia imaginar que meus dias vindouros
Seriam repletos de fantasias, ilusões, tristezas
Não nego que houveram momentos de alegria
Uma falsa alegria tenho certeza hoje
Pudesse eu voltar no tempo
Aquele dia não existiria
Talvez tivesse perdido a oportunidade
De sorver tantos sabores
Mas não teria manchado minha alma
Com tantos dissabores
Noites vi chegar e partir com a aurora
As lágrimas me fizeram companhia
E por muito tempo vieram durante o dia
Você nunca  olhou em meus olhos
E todas as vezes simplesmente
Passou o tempo como se ali na sua frente
Eu fosse apenas um pequeno objeto descartável
Desnecessário e tão vazio de importância
E com um simples toque fizesse desaparecer
Como sempre o fizera
Meus sentimentos nunca tiveram valor
Talvez fossem apenas motivo de desdém
E que tantas vezes esnobou e desprezou 
Quisera no tempo voltar e nada disso viver
Mas não teria a sorte de aprender
A me livrar de germes como você.

Hoje eu queria um abraço apertado
Um beijo demorado
Sussurros no ouvido
Mel em forma de canto
E nesse encanto apenas ser
Transformar em um o que ora fora dois
Ser, independente de ter
Quisera apenas merecer
E nesse instante me enternecer...

                                                                                      (Foto: "Série: Sombras" Jacqueline Batista)


"Não aceito coisa alguma de quem quiser me catalogar. Só aceito as críticas de quem seja capaz de vivenciar comigo a sensibilidade e a experiência que me levaram a um quadro ou a uma atitude..." 
Lygia Clark

terça-feira, 7 de maio de 2013

A dama que espera

Nessas manhãs de outono que o azul domina o céu
No fulgurante brilho da existência
Recorro aos ensinamentos do passado distante
Vasculhando gavetas de lembranças
Descalçando os pés e despindo-me do ontem
Vou deslizando pelo assoalho de sentimentos
Encerados por lágrimas e risos
Brincando nesse parque de emoções
Sob o olhar da bela dama que me observa
Na sua enigmática figura acomodada
Na espera que não lhe aflige
Conto os dias em forma de horas
Discorro ao vento as histórias passadas
Retardo o tempo com a ilusão de memórias
Busco a criança que brincava solta
Correndo no campo de gramas novas
Alimentando-me dos brotos das sementes
Ontem lançadas e esquecidas
Olho em volta e tento materializar os sonhos
Desperdiçados por medos tolos
E o olhar da senhora segue meus passos
Silenciosa e sem alarde
Ela me assusta e ao mesmo tempo me liberta
Chegou meu tempo?
Acabou minha história?
Apenas um rasgo no universo
Levando na cauda da poeira que brilha
Um rosto de formas mil
E um corpo que já não arqueja
Flutua na busca de outros tempos
Na certeza de outras histórias


segunda-feira, 6 de maio de 2013


O palhaço se diverte observando a moça que adoça o dia
com o açúcar transformado em algodão
A menininha acaricia a foca que lança
um olhar carinhoso de aprovação
E as almas de muitas histórias
se encontram, reencontram
O brilho nos olhos é a certeza
que quando estamos junto de pessoas 
que nos completam, nos preenchem
tornamo-nos seres muito mais HUMANOS
Amor que não se mensura
e é ETERNO...

    (Para vocês que amo tanto Jânia Maia e Laura)

E aí vem você, todo dengoso e cheiroso Roça meu pescoço, você é habilidoso Sabe sussurrar em meus ouvidos Palavras que fazem meus pêlos e...