quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

O beijo doce, a voz suave e tranquila
O toque que não precisa de palavras
E tudo se aquieta, o coração se acalma
É bálsamo que consola e ameniza a dor
Sinto não poder corresponder
Mas você não pede troca
Apenas me acolhe e embala
Canta aos meus ouvidos a canção
Que fez pra mim
Que fala de espera, de ternura
De desejar o outro com amor
Eu não sei o que é isso
Perdeu-se em mim o seu significado
Você não se importa com meu silêncio
Mas vejo brilho em seus olhos
E se há algo a retribuir
É contemplá-lo e sorrir




sexta-feira, 15 de janeiro de 2016


Imagem retirada da internet

Ah, parece certo
Mas o momento é errado
O lugar é errado
O tempo é errado
E você tem um rosto lindo
Os traços são encantadores
Mas é o rosto errado
Não é o rosto dele
Não se parece com ele
Até poderia dizer que sim
Que está bom para mim
A música que agora toca
É a música errada
O estilo está errado
No piscar de olhos 
Te vejo lindo
Seu sorriso é lindo
Mas é o sorriso errado
Não é o sorriso dele
Mas o seu é um belo sorriso
Estou feliz por nos conhecer
De repente sinto-me
Estranhamente atraída por você
E esses olhos, que lindos olhos
Mas não são os olhos dele
Tento em vão apagar uma memória
Quer esquecer alguém também?
Será que estamos jogando errado?
É o jogo errado com as fichas erradas
Sua boca é linda, e esses lábios...
Seus lábios são tentadores
Mas são os lábios errados
Não são os lábios dele
Mas são lábios provocadores
Acho que tenho um coração
Mas vou me guiar pela razão
Sinto tão próxima sua respiração
Seus lábios são tentadores
Mas são lábios errados
Quem sabe se estiver livre
Numa noite dessas...
Melhor não...
Embala o coração
E sobrepõe a razão
Mas...
São tão tentadores



segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Foto: Internet


Na eminência da morte nos agarramos a vida
Desejamos mais um tempo para fazer tudo
Que não nos permitimos antes
Queremos dar aquele abraço apertado
Que por orgulho ou besteira deixou que ficasse de lado
Queremos olhar nos olhos e dizer o quanto amamos
Na eminência da morte deixamos as exigência de lado
Achamos tempo para uma conversa sem pressa
Para aquele sorriso que tantas vezes ficou guardado
Descobrimos que as palavras saem com tanta facilidade
Que não há mais preocupação com o que irão pensar
Na eminência da morte descobrimos que não existe distância
Que o aqui e agora é o que dá sentido a vida
E o mais importante de todas as descobertas
Na eminência da morte perdoamos
Não esse ou aquele
Perdoamos a nós mesmos e no ultimo suspiro
Entendemos que esse perdão foi a chave encantada
Para abrir as portas da felicidade tantas vezes buscada.

"Quando chegar a hora de morrer,
Não seja como aqueles cujos corações são preenchidos
Com o medo da morte. que choram e rezam 
Por um pouco mais de tempo para viver
Suas vidas de uma forma diferente.
Cante sua música da morte e morra como um herói
Indo para casa." Chefe Aupumut

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015


                                       
                                                       Eu e as muitas de mim - manipulação digital 


Nunca mais é aquilo que gostaria de tornar verdade
Mas minha alma e carne são fracas por demais
E esse nunca mais dura sempre o tempo
De cicatrização da ferida
E mais uma vez
O nunca mais
Torna-se expressão esquecida
E me aconchego a Hilda Hilst
Que me acolhe em seu berço de palavras:

"O Nunca Mais não é verdade.
Há ilusões e assomos, há repentes
De perpetuar a Duração.
O Nunca Mais é só meia-verdade:
Como se visses a ave entre a folhagem
E ao mesmo tempo não
(E antevisses
Contentamento e morte na paisagem).
O Nunca Mais é de planícies e fendas.
É de abismos e arroios.
É de perpetuidade no que pensas efêmero
E breve e pequenino
No que sentes eterno.
Nem é corvo ou poema o Nunca Mais.
(H.H. in: CANTARES DO SEM-NOME E DE PARTIDAS)"

(Jacqueline Batista e Hilda Hilst)

domingo, 15 de novembro de 2015





Depois de horas sobre livros, artigos e anais
Dei-me  o direito de um pouco de leveza
Fui zapear  pelas ondas e me perdi
Entre a tristeza e o horror
Entre a angustia e o sofrimento
Lamentei cada episódio
Da guerra sem fim de povos
Que não se entendem e nada entendem
Sobre o sentido da vida
Sobre o sentido da palavra amor
Deixada por aqueles que jamais
Falaram em guerra
Até a morte da alma natureza
Da morte de pessoas simples
Com seus dias simples
Com suas histórias simples
Morre uma história
Vitimada pela ganância e poder
Ver lágrimas na voz embargada
Dos amigos de lá, dos amigos de cá
Saber que percorri pelas duas ruas
Que senti os cheiros, os risos
A alma leve de cada lugar
Doi me profundamente
Lá e cá perdas irreparáveis
E a certeza de que não somos nada
Que cada dia é único
Que se o perdemos
Perdemos a chance de um viver melhor
Que haja luz para essas almas sofridas
Que sejamos mais humanos
Que a vida seja nossa principal riqueza

domingo, 11 de outubro de 2015

Autonomia (Wislawa Szymborska)

"Diante do perigo, a holotúria se divide em duas:
deixando uma sua metade ser devorada pelo mundo,
salvando-se com a outra metade.

Ela se bifurca subitamente em naufrágio e salvação,
em resgate e promessa, no que foi e no que será.

No centro do seu corpo irrompe um precipício
de duas bordas que se tornam estranhas uma à outra.

Sobre uma das bordas, a morte, sobre outra, a vida.
Aqui o desespero, ali a coragem.

Se há balança, nenhum prato pesa mais que o outro.
Se há justiça, ei-la aqui.

Morrer apenas o estritamente necessário, sem ultrapassar a medida.
Renascer o tanto preciso a partir do resto que se preservou.

Nós também sabemos nos dividir, é verdade.
Mas apenas em corpo e sussurros partidos.
Em corpo e poesia.

Aqui a garganta, do outro lado, o riso,
leve, logo abafado.

Aqui o coração pesado, ali o Não Morrer Demais,
três pequenas palavras que são as três plumas de um vôo.

O abismo não nos divide.
O abismo nos cerca."
(Tradução coletiva - inimigo rumor)


(Holotúria - pepino do mar)

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Raiva...
Emoção latente, aprisionada
Fica ali, engasgada
Fere a garganta
Machuca a voz
Que sai entrecortada
Revirada
Luta uma luta insana
Quer sair, se exprimir
Mas só consegue se reprimir
O rosto se transforma
O corpo contorce, retorce
Grita de dor
Um grito contido, mudo
Uma marionete deixando-se manipular
Os lábios trancam, há muito a falar
O silêncio é mais forte
Um silêncio de sofrimento
Carrega o peso das vidas
Vividas sem cor
Ausentes, displicentes
Raiva...
A alma esbraveja
Quer sair, se desnudar
Limpar-se da agonia
Que a impregna
Mas é só silêncio
Contido, duro
E o grito emudece outra vez
E o corpo queda-se inerte



E aí vem você, todo dengoso e cheiroso Roça meu pescoço, você é habilidoso Sabe sussurrar em meus ouvidos Palavras que fazem meus pêlos e...