Não é insônia apenas desassossego
Que chega feito raposa acobertada pela campina
É esse ardor no peito que faz a alma chorar
Choro embebido de incerteza
Que bate com chicote e não perdoa
Não quero lágrima lavando rosto
Quero riso escancarado
Mas é na madrugada, na solidão sufocada
Que sou corpo e alma arrebentada
E choro esse choro que fica represado
E na escuridão da noite
Sou apenas mais um do mundo escondido
Quero gritar com todas as forças
Mas sou apenas sussurro
E a noite lambendo meu rosto
Sopra lentamente em meus ouvidos
Sons que deveriam ser esquecidos
Todos os poemas e crônicas apresentados nesse blog, salvo algumas excessões, são de autoria de JACQUELINE BATISTA. Os que não pertencem a essa autora recebem seus devidos créditos... LEI Nº 9.610, DE 19 DE FEVEREIRO DE 1998.
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016
domingo, 7 de fevereiro de 2016
Sorrir...
A forma primeira de sustentar a vida
De seguir em frente na sua jornada
Sorrir...
Amenizar o que faz sofrer e tranquilizar a alma
Sorrir...
A chave que aferrolha o que se fez saudade
Sorrir...
Despir-se e banhar-se de luar
Deixar essa luz te lambuzar
Sorrir...
E ainda que a barragem ameace romper
Sorrir...
A noite não dura para sempre
Há sol no alvorecer
É só se permitir ver
Sorrir...
Sorrir...
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016
O beijo doce, a voz suave e tranquila
O toque que não precisa de palavras
E tudo se aquieta, o coração se acalma
É bálsamo que consola e ameniza a dor
Sinto não poder corresponder
Mas você não pede troca
Apenas me acolhe e embala
Canta aos meus ouvidos a canção
Que fez pra mim
Que fala de espera, de ternura
De desejar o outro com amor
Eu não sei o que é isso
Perdeu-se em mim o seu significado
Você não se importa com meu silêncio
Mas vejo brilho em seus olhos
E se há algo a retribuir
É contemplá-lo e sorrir
O toque que não precisa de palavras
E tudo se aquieta, o coração se acalma
É bálsamo que consola e ameniza a dor
Sinto não poder corresponder
Mas você não pede troca
Apenas me acolhe e embala
Canta aos meus ouvidos a canção
Que fez pra mim
Que fala de espera, de ternura
De desejar o outro com amor
Eu não sei o que é isso
Perdeu-se em mim o seu significado
Você não se importa com meu silêncio
Mas vejo brilho em seus olhos
E se há algo a retribuir
É contemplá-lo e sorrir
sexta-feira, 15 de janeiro de 2016
Imagem retirada da internet
Ah, parece certo
Mas o momento é errado
O lugar é errado
O tempo é errado
E você tem um rosto lindo
Os traços são encantadores
Mas é o rosto errado
Não é o rosto dele
Não se parece com ele
Até poderia dizer que sim
Que está bom para mim
A música que agora toca
É a música errada
O estilo está errado
No piscar de olhos
Te vejo lindo
Seu sorriso é lindo
Mas é o sorriso errado
Não é o sorriso dele
Mas o seu é um belo sorriso
Estou feliz por nos conhecer
De repente sinto-me
Estranhamente atraída por você
Estranhamente atraída por você
E esses olhos, que lindos olhos
Mas não são os olhos dele
Tento em vão apagar uma memória
Quer esquecer alguém também?
Será que estamos jogando errado?
É o jogo errado com as fichas erradas
Sua boca é linda, e esses lábios...
Seus lábios são tentadores
Mas são os lábios errados
Não são os lábios dele
Mas são lábios provocadores
Acho que tenho um coração
Mas vou me guiar pela razão
Sinto tão próxima sua respiração
Seus lábios são tentadores
Mas são lábios errados
Quem sabe se estiver livre
Numa noite dessas...
Melhor não...
Embala o coração
E sobrepõe a razão
Mas...
São tão tentadores
segunda-feira, 11 de janeiro de 2016
Foto: Internet
Na eminência da morte nos agarramos a vida
Desejamos mais um tempo para fazer tudo
Que não nos permitimos antes
Queremos dar aquele abraço apertado
Que por orgulho ou besteira deixou que ficasse de lado
Queremos olhar nos olhos e dizer o quanto amamos
Na eminência da morte deixamos as exigência de lado
Achamos tempo para uma conversa sem pressa
Para aquele sorriso que tantas vezes ficou guardado
Descobrimos que as palavras saem com tanta facilidade
Que não há mais preocupação com o que irão pensar
Na eminência da morte descobrimos que não existe distância
Que o aqui e agora é o que dá sentido a vida
E o mais importante de todas as descobertas
Na eminência da morte perdoamos
Não esse ou aquele
Perdoamos a nós mesmos e no ultimo suspiro
Entendemos que esse perdão foi a chave encantada
Para abrir as portas da felicidade tantas vezes buscada.
"Quando chegar a hora de morrer,
Não seja como aqueles cujos corações são preenchidos
Com o medo da morte. que choram e rezam
Por um pouco mais de tempo para viver
Suas vidas de uma forma diferente.
Cante sua música da morte e morra como um herói
Indo para casa." Chefe Aupumut
segunda-feira, 21 de dezembro de 2015
Eu e as muitas de mim - manipulação digital
Nunca mais é aquilo que gostaria de tornar verdade
Mas minha alma e carne são fracas por demais
E esse nunca mais dura sempre o tempo
De cicatrização da ferida
E mais uma vez
O nunca mais
Torna-se expressão esquecida
E me aconchego a Hilda Hilst
Que me acolhe em seu berço de palavras:
"O Nunca Mais não é verdade.
Há ilusões e assomos, há repentes
De perpetuar a Duração.
O Nunca Mais é só meia-verdade:
Como se visses a ave entre a folhagem
E ao mesmo tempo não
(E antevisses
Contentamento e morte na paisagem).
O Nunca Mais é de planícies e fendas.
É de abismos e arroios.
É de perpetuidade no que pensas efêmero
E breve e pequenino
No que sentes eterno.
Nem é corvo ou poema o Nunca Mais.
(H.H. in: CANTARES DO SEM-NOME E DE PARTIDAS)"
(Jacqueline Batista e Hilda Hilst)
domingo, 15 de novembro de 2015
Depois de horas sobre livros, artigos e anais
Dei-me o direito de um pouco de leveza
Fui zapear pelas ondas e me perdi
Entre a tristeza e o horror
Entre a angustia e o sofrimento
Lamentei cada episódio
Da guerra sem fim de povos
Que não se entendem e nada entendem
Sobre o sentido da vida
Sobre o sentido da palavra amor
Deixada por aqueles que jamais
Falaram em guerra
Até a morte da alma natureza
Da morte de pessoas simples
Com seus dias simples
Com suas histórias simples
Morre uma história
Vitimada pela ganância e poder
Ver lágrimas na voz embargada
Dos amigos de lá, dos amigos de cá
Saber que percorri pelas duas ruas
Que senti os cheiros, os risos
A alma leve de cada lugar
Doi me profundamente
Lá e cá perdas irreparáveis
E a certeza de que não somos nada
Que cada dia é único
Que se o perdemos
Perdemos a chance de um viver melhor
Que haja luz para essas almas sofridas
Que sejamos mais humanos
Que a vida seja nossa principal riqueza
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