segunda-feira, 9 de maio de 2016








Desde o berço, você cria expectativas, sofre as frustrações, alimenta-se do melhor que a vida lhe oferece e com o avançar do tempo vai descobrindo o que vale a pena ou não manter na vida.

Com as pessoas acontece o mesmo, algumas não temos muita escolha, são necessárias à nossa evolução, precisam estar conosco em toda a nossa jornada. Outras permitimos que entrem em nossa vida, chegam, deixam um pedacinho de si e partem sem olhar para trás, mas tem aquelas que criam raízes tão profundas, que se uma única folhinha cair nosso coração chora rios.

Existem pouquíssimas pessoas que permito dentro do meu coração, pois são elas que quando mais preciso estão do meu lado, dando o colo e amor tão necessário para ajudar atravessar aqueles obstáculos que sem ajuda seria doloroso demais.

Da minha carne não saiu fruto, da minha alma e coração o mais belo dos presentes.

segunda-feira, 25 de abril de 2016


Foto: Mauro Marques

Não sou bonita
Muito longe de responder o padrão esperado
Meus traços são normais demais
Pernas longas desengonçadas
Pés grandes e mãos de dedos compridos
Uma pele toda desenhada
Ligando os pontos das pintas
Várias formas abstratas
O cabelo é uma mistura de cores
Perdeu-se há séculos o que um dia foi natural
Não há um corte preciso
É um amaranhado texturado
Não é liso, não é enrolado
Nariz pontudo, às vezes arredondado
A boca é grande, carnuda
Se avermelha só com uma mordidinha de lado
Bochechas gordinhas, salteadas
E os olhos, ah os olhos
Esses são como rio
Escuros, profundos
Neles abriga-se o mistério da minh'alma
Nessa profundeza a feiura se esvai
Ascende o que em mim se faz beleza
Transmuda o fantasioso no real





domingo, 17 de abril de 2016

Se não me queria
Por que me fez apaixonar?
Se não havia nada a oferecer
Por que me fez desejar você?
Se não sabia o que dizer
Por que me fez crer
Que sabia o que fazer
Se fui apenas brinquedo
Daqueles que não se guarda
Grandes lembranças
Por que mostrou em seu corpo
O conflito e a ânsia?
Me questiono o tempo todo
E não me liberto de você
Se não me queria
Por que me permitiu enxergar você?


quarta-feira, 6 de abril de 2016

Foto: Mauro Marques
Texto: Anônimo
No meio da tarde me pego pensando em você
Vasculho os guardados da memória
E em meio a recortes do tempo
Relembro um pedaço da nossa história
Namoro seu retrato disperso das horas
Combino traços, imagino abraços
E finjo que ainda temos agoras
Meus lábios se abrem em sorriso
Sinto na pele o toque... Na boca o gosto
Uma insanidade consciente daquilo que já não há
Retorno pesada de sentimentos
A raiz não foi arrancada
Você permanece em mim
É preciosa pedra na minha jornada


segunda-feira, 4 de abril de 2016

Hoje há um silêncio gritando em mim
É ensurdecedor
Distraio-me com os avessos da vida
E neles me embriago
Saio cambaleante, trôpega em meus devaneios
Inutilmente resisto
Há um turbilhão de pensamentos
Dançam alucinados em minha mente
Meu corpo vibra e já em transe
Abandona-se nesse mar angustiante
Não se preocupa em nadar para longe
Não há força, não faz sentido
Cansado, exausto esse corpo afunda
Mergulhado em si
Rostos, formas, risos, lágrimas
Falas entrecortadas, mal acabadas
E no externo de mim
Calmaria sem fim
É madrugada e ela em meio a nuvens
Acaricia meu rosto
Seca a lágrima que rola
O silêncio aquieta





E aí vem você, todo dengoso e cheiroso Roça meu pescoço, você é habilidoso Sabe sussurrar em meus ouvidos Palavras que fazem meus pêlos e...