Amo você pela insistência
Do ser que se faz amado
É leve amá-lo assim
Não tem hora, não tem dia
Não há obrigação nem paixão
É vento leve em manhã de primavera
Brisa fresca em tardes ensolaradas
Suspiro em noites enluaradas
Você é pássaro que não precisa gaiola
Não me pertence é alma livre
E quando a chuva chega
Mansa e musical
Aspiro teu ser no ar
Absorvo o meu viver
Porque é doce amar você
Todos os poemas e crônicas apresentados nesse blog, salvo algumas excessões, são de autoria de JACQUELINE BATISTA. Os que não pertencem a essa autora recebem seus devidos créditos... LEI Nº 9.610, DE 19 DE FEVEREIRO DE 1998.
sábado, 11 de fevereiro de 2017
quarta-feira, 28 de dezembro de 2016
É madrugada, acabo de assistir Café Society, um filme de Woody Allen. Aquele filme que você começa a assistir por acaso, quando a insônia insiste em te fazer companhia, mas que aos poucos vai te conquistando e quando se dá conta você está ali se embebedando de cada cena.
Ao final, completamente desperta, sinto uma necessidade desmedida de escrever, e as palavras saem sem o menor pudor.
Você me veio a mente, como lembrança que se quer esquecida e guardada na última caixa bem lá no fundo sem qualquer tipo de acesso, mas que a um simples toque flutua até você e se expande revelando o que você se esforça para esquecer. Aquele desejo impossível de ser saciado.
Enquanto meus dedos tamborilam o teclado, ouço Manhattan uma das trilhas do filme, tão delicada e forte ao mesmo tempo, fecho os olhos e lá estamos, juntos, dançando ao som de um piano que faz parecer que tudo é real, mãos que se tocam suavemente, seu cheiro misturando se ao meu, pele com pele. Assim, em êxtase, embarco nessa viagem de sonho, onde tudo acontece, tudo é possível e você é real, nela não exite distância, não existem outros, nela somos apenas você e eu e te toco como em tempos outros, lembranças vividas que, como memórias, difíceis de apagar.
Giro na madrugada e ouso a me permitir cantar, embalada por cada acorde percebo em mim um ser que se pega sorrindo.
Há uma inscrição no cartaz do filme que diz: "Anyone who is anyone will be seen at Café Society" . Sim , me vejo em algumas cenas do filme e, talvez por isso, ele tenha me tocado tão profundamente. " É Woody, devo concordar com você "essa vida é uma comédia, escrita por um sádico"
quarta-feira, 7 de dezembro de 2016
ONTEM HOJE
Estou a um passo de ver a luz
Aqui já está apertado, sinto-me incomodada
Passei por tantas experiências sonoras
Sons abafados estranhos
Sons de vida que flui
Meus olhos estão fechados
Tenho a percepção de tudo
Balanço de lado a lado
Um corpo moldado
Nesse espaço molhado
Sinto dores, alguém lá fora também
Não compreendo nada
Mas sinto tudo
De repente sons saem da minha boca
Sinto algo diferente contato de pele
Ambiente estranho confuso
Sou passada de mão em mão
Angustiantes momentos
Fica parte fica parte
Depois silêncio
E assim a vida que se faz em mim
Carregada de dores, tristezas
Alegrias euforia sensações
Passou por seus estágios necessários
Caminhos longos nessa estrada
Que não sei aonde vai dar
Chego nesse tempo que é agora
Guardo lembranças
Mas não me apego mais ao tempo
Se hoje é meu presente
Que ele venha embrulhado
Num belo pepel de seda
Com linda fita vermelha
domingo, 13 de novembro de 2016
Tela do artista cubano Alexis Iglesias que tive a honra de fazer o texto crítico e está no livro
Obras comentadas: doação a coleção do MUnA, organizado por Andrés Hernandes.
Como dois encontros, com grupos de diferentes pessoas, podem promover reações em nosso corpo. O primeiro, um grupo de mulheres de faixa etária diferentes, me fez sentir o ser mais estranho do planeta, o silêncio que se fez em mim era quase um grito por ar puro. A conversa girava em torno de roupas, sapatos, academia, filhos, comida, fofocas de TV, homens, um verdadeiro festival de hipocrisia, preconceito e futilidades. Uma delas questionou por que eu não fazia academia, iria me ajudar muito, e com certeza eu envelheceria com muito mais qualidade de vida. Não discordo dela, só não suporto academia. Mas a parte mais engraçada foi ela me dizer "pensa Jackie, você chegar aos 50 com tudo em cima, durinha, com corpinho de 30..." Fiquei entre dizer que eu já tinha 50 com corpinho de 30 e me manter calada. Mantive-me calada, com aquele meu olhar cínico e dissimulado, que quem me conhece sabe o quanto é perturbador. Outra me questionou a falta de um namorado, e como eu conseguia ficar sem homem "isso é um absurdo, eu não consigo passar uma semana", mais uma vez o silêncio se fez mim. Sair "pegando" todos por aí, sem a menor noção de responsabilidade e respeito por mim mesma não faz parte da minha relação com a vida.
Meu olhar ia de uma a outra sempre pensando em que mundo essas mulheres habitavam, que certezas eram aquelas de felicidade trabalhada na academia, no casamento, na maternidade, no dinheiro jogado fora com coisas tão supérfluas. Ora ou outra meus lábios se mexiam e alguns sons saiam como: é... pois é... uhummm... monossílabos e apatia. Me esforcei ao máximo para me manter naquele ambiente que, com toda certeza, não me pertence mas que é um excelente laboratório para análise de personalidade, mas ao final de uma hora já estava esgotada, pedi licença, cumprimentei a todas e fui embora com um sentimento de vazio, de ausência de energia, como se toda a energia do meu corpo tivesse sido drenada, estava sonolenta, pesada e com dores.
O segundo grupo, muito mais diversificado, começou com a abertura da exposição do MUnA, seguiu para um restaurante, e terminou numa cervejaria. Passamos juntos mais de 6 horas, havia uma troca de conhecimento, ninguém tinha certeza de nada, mas havia o desejo constante de evoluir. Ali estavam indivíduos que se permitiam estar presente com o outro. Os assuntos variavam da política e economia atuais do país, passava por filmes e séries, viagens, livros, muita risada, reflexões interessantes, a alquimia da cerveja e a tão estimada filosofia de boteco, como diz Rodrigo "no fim tudo acaba em morte..." e é verdade, podemos fazer tudo o que quisermos, viajar, trabalhar, fazer planos, mas a única certeza é que um dia iremos partir para outra dimensão. Durante todo o tempo que passamos juntos, NINGUÉM pegou o celular, NINGUÉM reparou se o outro estava bem vestido ou não, NINGUÉM questionou as escolhas do outro.
Cheguei em casa quando o dia despertava com suas cores e perfumes, enchi um copo de água e enquanto bebericava fiquei ali sentada, observando o céu mudando de cor, estava feliz, energizada, relembrando aqueles momentos que me foram tão caros. Nem o cansaço dos últimos dias, ou o estresse pré abertura de exposição me abateram. Havia em mim o sentimento de dever cumprido e a certeza de que é preciso estar com pessoas que nos agreguem valores, que nos possibilitem ver a vida com muito mais cores, com muito mais luz. É importante respeitar as escolhas e opiniões alheias, mas é muito mais importante nos manter mental e fisicamente saudáveis, e são nossas escolhas que nos permitem viver com brilho nos olhos e sorrisos na alma.
Entre o primeiro e o segundo grupo, não há a menor dúvida fico com o segundo, as sensações deixadas no corpo foram de leveza, relaxamento e profundo respeito pelo ser que habita em mim.
quinta-feira, 20 de outubro de 2016
Em um aniversário escuto o seguinte comentário "Jackie, que linda você está, e essa pele, está perfeita", respondo: é o amor...
Em seguida a minha resposta vem a expressão: "Sabia, o amor rejuvenesce... fico muito feliz por você, precisa nos apresentar esse homem..."
Incrível como vivemos ainda em uma sociedade que acredita que a jovialidade e a "pele bonita" de uma mulher só são possíveis graças a um homem. Poderia ter dado algumas respostas diante de tal comentário, mas agravaria ainda mais a minha situação de mulher que não precisa de homem para viver.
Como tenho o péssimo hábito de observar mais que dar opinião, passei um bom tempo observando as mulheres e seus companheiros. Ali estavam "belas, recatadas e do lar" prontas para representarem seus papéis de mulheres dedicadas, trabalhadoras, boas mães e responsáveis. Ali estavam mulheres que observavam seus homens na expectativa de um comentário a seu favor, um toque carinhoso, um olhar apaixonado. Ali estavam os homens bebendo e comendo como animais que são, ordenando a suas mulheres para prestarem atenção a seus filhos, "fulano está no brinquedo vá lá ver", "siclano não comeu arruma alguma coisa pra ele", "pega uma cerveja pra mim", "estou com fome, me faça um prato"... E lá vão elas, obedientes, domesticadas e felizes por poderem contribuir para a felicidade de seus homens. Não as julgo, de forma alguma, muitas são felizes assim mesmo e as respeito por isso, mas não é o meu caso. Ali estavam figuras que conheço muito bem, que têm suas vidas paralelas, mas que na sociedade em que vivem passam a imagem do homem sério, responsável e provedor. Também não os julgo por isso, cada um faz as escolhas que quer, não é problema meu.
Um desses seres sentou-se ao meu lado e veio logo dizendo que precisava conhecer "o cara" que estava me deixando tão bonita, porque precisava aprovar ou não meu relacionamento... Como a intimidade é uma merda, respondi que não era ele, era ela e fiquei admirando a sua expressão de incredulidade, quase ri, mas precisava manter o meu tom irônico de seriedade, que modéstia a parte sou muito boa. Então não era um homem que estava me deixando bonita era uma mulher, como se eu não tivesse a capacidade e a competência de ser bonita por minhas próprias mãos e da minha dermatologista querida, é claro.
Em nenhum momento me foi questionado se o motivo de "minha beleza" estava relacionado a minha forma de viver, aos cuidados que tenho com meu corpo, a forma como levo a vida, mas sim que a única razão só poderia estar vinculada a uma outra pessoa, homem ou mulher.
Há muito tempo não preciso de homem para ser bonita e feliz. Gosto muito de homens, como diz Cher, são tipo sobremesa, e eu adoro sobremesa. Mas a única responsável pelo meu bem estar sou eu mesma. Com meio século de existência não preciso de joguinhos, escolho com quem quero ficar e se quero ficar. Faço o que me dá prazer, falo com quem me dá prazer, dou atenção a quem admiro, gosto e desejo que esteja na minha vida, independente da reciprocidade. Posso parecer egoísta, fria e distante, mas apenas escolhi viver de acordo com o que me dá bem-estar e não vivo para agradar a ninguém.
Quanto aos comentários da noite passada fica a sensação de que ainda precisamos evoluir muito para sermos realmente compreensivos e amáveis para com o outro, aceitá-los como são, com suas diferenças, valores e escolhas. E me divirto com as questões que ficaram soltas no ar, será que ela é? será que ela não é?... E a vida segue, cheia de altos e baixos...
quarta-feira, 19 de outubro de 2016
Interagindo com a obra Linhas de Fuga
do artista Emilliano Freitas
Sou o que em mim se faz
Levei tempo demais para essa construção
Ocupar o espaço que me cabe
Já sofri e sofro tanta dor
Que não admito mais
Ver-me trancada em caixas
Pensando se isso é certo
Se aquilo é errado
Evitar dizer o que tenho vontade
Pelo medo do que pensarão do lado de lá
Do lado de cá pouco importa
Se o tempo é pouco demais
Quero aproveitá-lo o máximo que puder
Esse reflexo se faz presente a cada segundo
É o aqui que me dá esse lugar
Memórias têm o seu espaço
Nessas caixas empoeiradas de tempo
[E lá devem ficar]
Futuro só depende das sementes
Que nesse instante eu semear
Amo, um amor que não corresponde
E ainda assim amo
Pelo prazer de sentir
De ver meu corpo pulsar
De gozar esse amor
Pelo simples ato de pensar
Não me iludo com fantasias mudas
Opacas e muito mal desenhadas
Brilho com as fantasias animadas
Que me dão fogo, tesão e desejo
Saber-se quem é demanda tempo
Mas é libertador, ainda que não sufoque a dor
Ontem falei de tesão, exalei desejos da carne
Hoje lambuzo me de amor
Não me enquadro em regras
Isso me impede ser fiel
Pois que só paixão pede fidelidade, apego
[Caixas...]
Sou um mísero grão ocupando
Lugar temporário
Não me confundas com a insana fria egoísta
Que ainda um pouco narcisista
Parece de todos querer se afastar
Às vezes figura etérea
Obrigada a habitar essa matéria
Mas não mais agrilhoada
Minh'alma é livre
Meu corpo é livre
E o amor que dou é livre
Como livre é o ato de ser
Inquieta por pura necessidade
Incapaz de viver sem liberdade
terça-feira, 23 de agosto de 2016
Foto manipulada através do Prisma
Gosto da minha companhia
Gosto hoje mais do que gostava ontem
Gosto de saber que minhas imperfeições
Não me adoecem ao ponto de exigir
Daqueles que me cercam a sua presença
Gosto de me olhar no espelho
E de fato me enxergar
Gosto de acariciar meu corpo
E sentir em cada toque
A maciez e a doçura da pele
O prazer de sentir se amado
Gosto do meu cheiro
Da imagem que aparece refletida
Brinco com os vincos feitos pelo tempo
Danço, sorrio, canto e viajo
Gosto do eu que se faz em mim
Assinar:
Postagens (Atom)
E aí vem você, todo dengoso e cheiroso Roça meu pescoço, você é habilidoso Sabe sussurrar em meus ouvidos Palavras que fazem meus pêlos e...
-
"Diante do perigo, a holotúria se divide em duas: deixando uma sua metade ser devorada pelo mundo, salvando-se com a outra metade. ...
-
Fim de semana sossegado, entre visitas familiares, almoço na casa de mãe, filme e shows em DVD. E por falar em show, ass...
-
Sempre andei pela periferia dos sentimentos Não me aportando em nada ou ninguém Dei azar de ancorar em um espaço disforme Quase sucumb...




