sábado, 25 de fevereiro de 2012


Mundo Virtual

Um sinal baixo e pulsante
É o aviso de que estás prestes
A entrar no mundo da fantasia
Um chamado...
E as portas virtuais se abrem
E lhe dão passagem
Não precisa de cinto
Embora perigosa
A viagem pode ser confortável e deliciosa
Não precisa de malas
Tudo do que precisar
Será materializado com um simples toque
Ou apenas um pensamento
Nessa viagem você não tem passado
Você não tem presente
E não se iluda
Você não terá futuro
Tudo pertence ao imaginário
Nesse espaço de tempo
Que podem durar horas
Ou meros segundos
Você se permitirá sonhar
Fantasiar... Flutuar na imaginação
Tocará pequenas nuvens
E se quiser poderá leva-las à boca
E delas se alimentar
No mundo virtual
Você se despe das vestes duras
Da realidade segura
E se transveste de leveza adocicada
Na nudez livre de preconceitos
E pudores desnecessários
Onde o que se deseja é
Invadir...
Penetrar...
Fundir...


segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Nessa vastidão de imensas dores e angústias
A revelação de um corpo alquebrado
Pelas lembranças de um passado
Cheio de confissões e segredos
Nas ruas de pedras da memória,
Empoeiradas pelo tempo,
Vejo-me gasta como uma peça rota
De roupa que não quer mais ser usada
Mas que se acomodou ao corpo
E dele não quer se desfazer
As algemas do medo insistem
Em manter-se atadas
Limitando meus desejos,
Bloqueando minha ânsia pelo fazer
E a minha enorme necessidade de viver.
Acordei com muita disposição
Abri as gavetas, revirei as caixas
Dos armários fui retirando tudo
Não sobrou nada guardado ou escondido
Separei o que me agradava
Peças comprometidas pelo tempo
Não vacilei, mandei embora
Joguei tudo fora...
Amontoados de coisas velhas e sem uso
Vi crescer em determinados cantos
Em meio a tudo isso me vi
Nas cores escuras de algumas roupas
A silueta de alguém que passou um bom tempo nas sombras
As solas gastas dos sapatos
Lembraram-me que muito caminhei
E entre um obstáculo e outro não desisti
Sacos cheios de histórias
Caixas repletas de sentimentos e lembranças
No quarto cheio de memórias
Um pequeno objeto e sua luz intermitente
E nas suas pequenas interrupções
A necessidade de recomeçar sempre
Construir, se permitir, evoluir
Esse objeto de tantas formas
Chama-se vida... A minha vida.




quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Hoje me vesti para você
O tecido leve lembrava suas mãos
Descendo lentamente e cobrindo partes da pele
Macia... Desejosa...
O perfume borrifado no ar
Caía como pétalas a perfumar e a acariciar
Os pés receberam o toque do couro
Forte e ao mesmo tempo confortável
A massa de cabelos macia e perfumada
Emolduravam a delicadeza do rosto
Nos lábios o brilho despertando o desejo
E ao final, diante do espelho,
A boca semiaberta lançava lhe um beijo.
Não foram as palavras ditas ou manuscritas
Não foram as atitudes ou a ausência delas
Foi apenas um sorriso...
Foi apenas um sorriso...
Um belo sorriso.
O tempo agora passa lentamente
Já não sinto mais o frio e nem os tremores
E desejos da espera
Naquele dia quando as luzes
Brilhavam e iluminavam a noite
Um único instante encerrou uma história
Alguns gestos, lágrimas e a certeza
De tomar outra direção
Por um tempo ainda será luto em meu coração
Mas haverá um amanhã e apenas saudade
Agora as palavras brincam em minha frente
Elas vão tecendo uma trama, ora fechada, ora aberta
E fazem um sorriso aparecer em meus lábios
Olho de lado, um resto de sol se despede
Abraço meu corpo em uma profunda entrega
Como fumaça me desfaço no ar
Cavalgo o vento
Estou livre
Vou para onde ele quiser me levar...
Como criança caprichosa escondi
Sob as pedras preciosas
Minha caixinha de ilusões que, decidida, 
Resolvi dela me dispor.
Entre pedregulhos de histórias 
E momentos de encantamento
Vi os restos do sorriso que um dia 
Havia conquistado minha alma
E lá plantado pequenas sementes 
Que vira brotar como desejos e se transformar. 
Quis guardar como tesouro de infância os restos
Que um dia tão docemente me permitiu sonhar.
A chave virá em um cordão, 
Mas ficará sempre presa e
Acantonada no meu coração.
Voltarei um dia a esse esconderijo?
Não sei.
Sei apenas que bastará a lembrança para iluminar
E fazer brilhar os olhos e teu belo rosto poder novamente enxergar.

E aí vem você, todo dengoso e cheiroso Roça meu pescoço, você é habilidoso Sabe sussurrar em meus ouvidos Palavras que fazem meus pêlos e...