Eu sei
Foram só palavras
Ditas de forma galanteadora
Nenhuma delas possuía sentimento
Todas reunidas em uma ciranda
Rodopiando no espaço e no tempo
Eu sei
Que tudo não passou de nada
Não houve verdade nas palavras grafadas
Tão pouco nas verbalizadas
Os olhos mentiram e o sorriso
Que tantas vezes desequilibrava meus sentidos
Era apenas uma das máscaras do dia a dia
Eu sei
Não houve promessas, mas houve desejo
Não houve encontros, mas houve fome
Era a sedução despreocupada
A liberdade escancarada
Eu sei
Que tudo não passou de nada
Era preferível que eu não soubesse nada
Todos os poemas e crônicas apresentados nesse blog, salvo algumas excessões, são de autoria de JACQUELINE BATISTA. Os que não pertencem a essa autora recebem seus devidos créditos... LEI Nº 9.610, DE 19 DE FEVEREIRO DE 1998.
segunda-feira, 6 de agosto de 2012
Nunca sabemos para onde vamos
Quando começamos a dar vida as palavras
Em instantes elas se transformam
E nos levam a viagens para além de nossa imaginação
Acho que enlouquecemos à medida
Que vamos tecendo lugares e emoções
Nos deformamos quando os sentimentos
Ainda são doridos e sangram
Nos refestelamos quando viramos crianças
E saltamos de nuvens e devoramos árvores de chocolate
Como varinha de condão as palavras
Vão nos tocando e criando personagens
Que nos libertam da dor cotidiana
De viver a realidade fria e rígida
Do ter que ser e existir
Cada viagem um passeio a outro universo
Uma troca de fluídos essenciais
E que nos torna seres livres
Quando abandonamos a dureza da vida
Para nos entregar a leveza da vida
De posse de nossas fantasias
Alimentados por nossa imaginação
Entramos sem vestes ou bagagem
Nesse trem de pura felicidade
E sem olhar para trás seguimos viagem
Até o cair da pena e de olhos abertos
Retornamos à realidade...
Quando começamos a dar vida as palavras
Em instantes elas se transformam
E nos levam a viagens para além de nossa imaginação
Acho que enlouquecemos à medida
Que vamos tecendo lugares e emoções
Nos deformamos quando os sentimentos
Ainda são doridos e sangram
Nos refestelamos quando viramos crianças
E saltamos de nuvens e devoramos árvores de chocolate
Como varinha de condão as palavras
Vão nos tocando e criando personagens
Que nos libertam da dor cotidiana
De viver a realidade fria e rígida
Do ter que ser e existir
Cada viagem um passeio a outro universo
Uma troca de fluídos essenciais
E que nos torna seres livres
Quando abandonamos a dureza da vida
Para nos entregar a leveza da vida
De posse de nossas fantasias
Alimentados por nossa imaginação
Entramos sem vestes ou bagagem
Nesse trem de pura felicidade
E sem olhar para trás seguimos viagem
Até o cair da pena e de olhos abertos
Retornamos à realidade...
quarta-feira, 25 de julho de 2012
Serpente
Estou no ninho da serpente
E não vislumbrá-la é mais assustador
Que estar diante de sua enigmática presença.
Sabê-la tão perto causa certo desconforto
Pareço sentir seu cheiro
O ar está impregnado de seu odor
Por muito tempo fui hipnotizada
Pelos seus olhos, suas doces palavras
Seu hálito gélido confundia meus sentidos
Busco uma saída e a encontro
A serpente agora fica para trás
Apenas sua casca deixada pelo caminho
Consigo aqui de cima enxergar
Essa serpente troca de pele,
Mas sua essência jamais mudará.
segunda-feira, 16 de julho de 2012
Frio, vento e fome
E a solidão que consome
Nas noites geladas de inverno
Escondidos debaixo de papelões
Dormem em névoas de miséria
Amontoados de pele e ossos
Alimentados apenas de lamentações
Esquecidos do tempo, dos anos
Seres que já nem se julgam mais humanos
Marginalizados e descriminados
São invisíveis à sociedade hipócrita
Que rouba sua dignidade e nega-lhe o pão
São homens, mulheres e crianças
Jogados no mundo sem proteção
Misturam-se ao lixo e a imundice
Daqueles que se negam a olhar para o chão
Gritam palavras de ordem, apresentam-se
Como bons moços e moças
Mas fazem cara de nojo para toda essa podridão
As feridas abertas da miséria humana
Contaminadas por preconceitos e dissimulação
Não há dignidade quando não se tem pão
Num país em que nem todos
Sabem que têm direito a um nome
São pobres miseráveis que ainda buscam
Em suas velhas panelas vazias
Algum alimento que mate sua fome
E choram o choro dos que não tem voz
Com olhos empoeirados e esfarrapados
Vão se largando no mundo
E morrendo todos os dias
Acostumados à invisibilidade
Insignificância e mediocridade.
Bela vê a vida pela fresta
do portão.
Tudo que vem aos teus
olhos
Vem pela metade, com
imagens cortadas,
Mas não pense que Bela
sofre de solidão
Ao contrário, ela sorri
para os pés que transitam pela calçada.
Às vezes, Bela dança com
uma desenvoltura invejável
Quando o sol torna-se
desagradável, Bela nem dá bola
Dá uma olhada de desdém,
vira-se e se recosta com ar de bela dama.
Com olhos lânguidos e
corpo relaxado põe-se a dormir
Ao entardecer Bela se
levanta, se recompõe e dirige-se ao portão,
Ela sabe que haverá passos
rápidos num vai e vem frenético
De carros, ônibus,
bicicletas e os seus, preferidos, pés.
Eles são de variadas
cores, alguns altos, outros baixos
Alguns correm, outros
caminham e outros param...
Bela não liga para os rostos,
não se importa com eles,
Bela é fascinada com essas
formas estranhas.
Alguns amigos param, olham
no seu único olho,
Resmungam alguma coisa e vão
embora.
Bela não é tímida e é
muito educada
Deitada, olhando pela
fresta do portão,
Bela compõe seu mundo nas
fantasias que povoam
E alimentam seu canino
coração.
Bela vê a vida pela fresta
do portão...
Morte
Na eminência da morte os olhos perdem o brilho,
E o espírito parece se despedir desse mundo.
Existe uma tristeza que não sei de onde vem,
Talvez a despedida do plano que lhe abrigou,
Dos lugares e das pessoas que lhe abraçou.
Não sei, é impossível analisar, interpretar
Existe um distanciamento do tempo
Nada mais parece fazer sentido
Ao ouvir “já vivi muito, meu tempo se esvai”
Não existe mágoa, amargura ou frustração
Nessa frase simples, mas tão cheia de emoção,
Apenas a melancolia e a certeza do partir.
A morte que não vem no corpo de Brad Pitt
Chega silenciosa e a quem merece, vem carinhosa.
A lágrima que lava o rosto enrugado é de saudade,
Ou da certeza de tão desejados reencontros.
A morte não é essa dama de vestes negras
E de foice na mão, ela é leve e fluida.
A morte não evita a dor, mas desperta amor,
Ela apenas modifica as muitas fases da vida.
Quero que a minha passagem venha
Numa fria e ensolarada tarde de inverno
No azulado frio da despedida
Assim terei a certeza de que o espírito é eterno
Na beleza do sol que se põe
Quero adormecer nos braços do horizonte
E despertar livre das vestes carnais
No caminho para aprender e talvez um dia renascer.
quarta-feira, 11 de julho de 2012
O que dizer nessas tardes frias de inverno
Que transforma meus dias curtos
Em noites longas e de agonia ou,
Em alguns momentos, alegria.
Tardes largadas debaixo do cobertor que aquece o corpo,
Mas não aquece o coração que, acabrunhado,
Se vê desanimado diante do filme de amor.
Essas comédias que não me fazem dar risada,
Que na verdade não me transmitem nada.
E vou esgueirando-me do tempo na
Tentativa infeliz de fugir de mim mesma
Como se eu pudesse sabotar sentimentos
Refugiados nessas águas turvas do viver.
Se nada tenho a dizer posso pelo menos querer:
Querer a primavera rejuvenescida e florida
Com brisas leves e doces perfumando o corpo;
Querer as noites de lua cheia abraçada a nudez
De meus desejos insaciados.
Mas enquanto a primavera não vem
Aqueço-me de tuas lembranças
Revistando as memórias e apalpando
A carne que sente as vibrações ao simples toque,
E que vai se aconchegando na maciez do algodão
E adormecendo nos braços ternos da solidão.
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