terça-feira, 7 de maio de 2013

A dama que espera

Nessas manhãs de outono que o azul domina o céu
No fulgurante brilho da existência
Recorro aos ensinamentos do passado distante
Vasculhando gavetas de lembranças
Descalçando os pés e despindo-me do ontem
Vou deslizando pelo assoalho de sentimentos
Encerados por lágrimas e risos
Brincando nesse parque de emoções
Sob o olhar da bela dama que me observa
Na sua enigmática figura acomodada
Na espera que não lhe aflige
Conto os dias em forma de horas
Discorro ao vento as histórias passadas
Retardo o tempo com a ilusão de memórias
Busco a criança que brincava solta
Correndo no campo de gramas novas
Alimentando-me dos brotos das sementes
Ontem lançadas e esquecidas
Olho em volta e tento materializar os sonhos
Desperdiçados por medos tolos
E o olhar da senhora segue meus passos
Silenciosa e sem alarde
Ela me assusta e ao mesmo tempo me liberta
Chegou meu tempo?
Acabou minha história?
Apenas um rasgo no universo
Levando na cauda da poeira que brilha
Um rosto de formas mil
E um corpo que já não arqueja
Flutua na busca de outros tempos
Na certeza de outras histórias


segunda-feira, 6 de maio de 2013


O palhaço se diverte observando a moça que adoça o dia
com o açúcar transformado em algodão
A menininha acaricia a foca que lança
um olhar carinhoso de aprovação
E as almas de muitas histórias
se encontram, reencontram
O brilho nos olhos é a certeza
que quando estamos junto de pessoas 
que nos completam, nos preenchem
tornamo-nos seres muito mais HUMANOS
Amor que não se mensura
e é ETERNO...

    (Para vocês que amo tanto Jânia Maia e Laura)

sábado, 6 de abril de 2013




E eu fiquei ali parada, imóvel...
Até o vento se calou, retirando-se e me deixando só
Seus lábios macios deslizavam vagarosamente
Por sobre a pele de meu pescoço que queimava
Aos poucos a boca abria-se em um sussurro
As palavras agora eram deitadas em meus ouvidos
Que desciam até meu coração e ali se aconchegavam
Suas mãos quentes acariciavam meus cabelos
E o toque tal como mágica elevavam meus pés
Deixando-me sem chão, flutuando no espaço... 
Apertada ao teu peito fui sorvendo teu cheiro 
E me embebedando de teu hálito doce
Já perdida e embriagada fui lançada ao céu
Arrebatada por mãos e sussurros 
Condenada à deliciosa sensação de desamparo
E o vento retornou e meus olhos foram abertos
E a imagem se dissolveu...





Perguntei ao vento se ele havia encontrado teus rastros

Ele assegurou-me que há muito perdera teus passos

Perguntei a chuva se havia molhado teu rosto

Ela me respondeu que não mais o vira e de você se perdeu

Perguntei ao sol se havia iluminado teus dias

Ele entristecido me respondeu que, embora por ti

Houvesse procurado apenas nuvens e sombras foi encontrado

E a lua, de mim piedosa, acrescentou com seu brilho ofuscante,

Se não houve rastros no caminho e nem história deixada

Você aprendeu uma grande lição

Não esperar por nada...

Não acreditar em nada...

Desistir...

Pessimismo?... Negação?...

Meus olhos arregalados e meu espanto

Foram logo acalmados

Entenda que foram essas as melhores lições

Quando não lhe acrescentam nada é por que

Nunca valeram a pena...

Aprenda a não esperar nada de quem é vazio

A não acreditar em nada que não tenha alma

Desista de tudo que seja pequeno e volúvel

E uma estrela que prestava atenção em tudo

Lançou-me sua cumplicidade e com ela viajei

Fui para outras terras, outras histórias

E apenas os sonhos comigo levei...




Meus pés cansados vão até onde posso encontrar os teus. Na segurança de teus passos sinto que posso descansar os meus.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013


E eu que nem sabia direito o caminho do traço
Arrisquei-me no passo
Lançando fora os resquícios de outrora
Libertando minhas asas
Do invólucro morno e cômodo
Para descobrir-me metamorfoseada
Ai, pedacinhos de céu que, como estrelas,
Por sobre minha alma caem
Vou levitando e dançando
Dando ao vento beijos soprados
Para que o tempo entregue
Ao destinatário
O traço se faz caminho
E nos tropeços ou espinhos
Desnudo-me de nadas
Para vestir-me de tudo.

E aí vem você, todo dengoso e cheiroso Roça meu pescoço, você é habilidoso Sabe sussurrar em meus ouvidos Palavras que fazem meus pêlos e...