quarta-feira, 1 de junho de 2016

Virando flor na obra "Estar" do artista Leandro Dário

E da dor me transformo em flor
Metamorfose ausente de pudor
Do líquido espesso e sem rigor  
Essa mistura de corpo e flor
Se vê viva ao se expor
Não há qualquer resquício de rubor
Não se compra, não tem valor
É mulher
É flor 
                                            [independente de amor]
Mas se amor flor for
Me despetalo ao seu dispor



sexta-feira, 27 de maio de 2016


Quando um corpo feminino é violentado brutalmente
É certeza que falta humanidade numa sociedade
Viciada, hipócrita e que se safa impunemente
Homens que representam a podridão
O descaso, o desrespeito, o esvaziamento
Porque se sentem no direito de machucar
Denegrir, ofender e humilhar
Seres desprezíveis que caminham livremente
Assediam, "brincam", diminuem, batem
E consideram normal, porque são homens
São miseráveis escrotos, débeis criaturas
Habitando um corpo racionalizado
Agindo como bicho irracional
Não é o que vestimos, dizemos, fazemos
Não é o meu comportamento que dá permissão
O NÃO é imperativo sempre
O que uma mulher é
Homem nenhum tira
Mesmo machucada, humilhada
Consegue ser muito mais forte
Do que qualquer homem
Talvez por isso estejam despertando
Tanto medo e insegurança
Em uma grande parcela masculina
Que ao não reconhecer seu empoderamento
Buscam através da crueldade seu desmerecimento
É preciso viver bem na diversidade
Não existe melhor ou pior, existe o diferente
Homens e mulheres, juntos, com direitos iguais
Livres para serem o que desejarem
Para ir e vir como quiserem
Não há perdão para a desrazão
Uma sociedade humana e decente
Só se fará através da educação


sexta-feira, 20 de maio de 2016

E de nós dois sobrou apenas o silêncio
Frio e cinzento
Do que outrora chamei sentimento
Resta apenas reminiscências
Foi resposta dada ao que nunca existiu
Tão pouco ao que se desejou
Só silêncio
Ou momentos que se fingiu
Resta-me agora palavras soltas
Olhar perdido, coração desiludido
Foi meu o que de meu se plantou
Agora é só terreno vazio
Empoeirado de tempo
Aguardando que outras sementes
Ressurjam nesse lugar e frutifique
Se de nós dois hoje apenas árvore seca
Que amanhã o broto seja viçoso
Sem quedar-se esperançoso



quarta-feira, 11 de maio de 2016




Poema escrito para apresentação final do trabalho que meu deu tanto prazer em fazer "Educação em Direitos Humanos: Igualdade de direitos e valorização das diferenças, uma visão sobre os Grupos LGBTs".

Assumir a homossexualidade hoje é mais fácil do que já foi um dia, mas o preconceito ainda existe e continua sendo um empecilho para jovens que estão descobrindo a sua sexualidade.

A homossexualidade é legitimada na atualidade enquanto possibilidade de expressão do ser que se é, como indivíduo único e não como algo que se destoa e não corresponde ao que ainda tentam afirmar como normalidade, tão disseminado pela heteronormatividade com seus modelos eternizados pelas convenções moralistas . Não é caso de “cura”, mas sim de políticas públicas que viabilizem a promoção de saúde global a todas as pessoas homossexuais e heterossexuais.

A “cura” seria muito bem vinda para o fim da homofobia que descriminaliza, vitimiza e marginaliza gerando violência, injustiça e sofrimento para todas as pessoas.

Educação e direitos humanos precisam estar unidos para pôr fim a intolerância, ao egoísmo e ao medo. A partir do conhecimento das bases da construção da sexualidade como um todo, possibilitar que profissionais da saúde, educadores e comunidade discutam ações e promovam um diálogo mais aberto e consciente relacionado à diversidade sexual, estimulando a tolerância, o reconhecimento e a aceitação das diferenças e de diferentes formas de se expressar a sexualidade, e a partir daí promover o equilíbrio, o bem-estar humano e o direito de se amar em paz.

Só o respeito as diferenças poderá fazer de nós seres verdadeiramente livres. 

segunda-feira, 9 de maio de 2016








Desde o berço, você cria expectativas, sofre as frustrações, alimenta-se do melhor que a vida lhe oferece e com o avançar do tempo vai descobrindo o que vale a pena ou não manter na vida.

Com as pessoas acontece o mesmo, algumas não temos muita escolha, são necessárias à nossa evolução, precisam estar conosco em toda a nossa jornada. Outras permitimos que entrem em nossa vida, chegam, deixam um pedacinho de si e partem sem olhar para trás, mas tem aquelas que criam raízes tão profundas, que se uma única folhinha cair nosso coração chora rios.

Existem pouquíssimas pessoas que permito dentro do meu coração, pois são elas que quando mais preciso estão do meu lado, dando o colo e amor tão necessário para ajudar atravessar aqueles obstáculos que sem ajuda seria doloroso demais.

Da minha carne não saiu fruto, da minha alma e coração o mais belo dos presentes.

segunda-feira, 25 de abril de 2016


Foto: Mauro Marques

Não sou bonita
Muito longe de responder o padrão esperado
Meus traços são normais demais
Pernas longas desengonçadas
Pés grandes e mãos de dedos compridos
Uma pele toda desenhada
Ligando os pontos das pintas
Várias formas abstratas
O cabelo é uma mistura de cores
Perdeu-se há séculos o que um dia foi natural
Não há um corte preciso
É um amaranhado texturado
Não é liso, não é enrolado
Nariz pontudo, às vezes arredondado
A boca é grande, carnuda
Se avermelha só com uma mordidinha de lado
Bochechas gordinhas, salteadas
E os olhos, ah os olhos
Esses são como rio
Escuros, profundos
Neles abriga-se o mistério da minh'alma
Nessa profundeza a feiura se esvai
Ascende o que em mim se faz beleza
Transmuda o fantasioso no real





E aí vem você, todo dengoso e cheiroso Roça meu pescoço, você é habilidoso Sabe sussurrar em meus ouvidos Palavras que fazem meus pêlos e...