quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Foto: Internet

Hoje eu parei de frente ao espelho
Fiquei alguns minutos ali 
Olhando cuidadosamente aquela imagem
Como cego que precisa tatear para enxergar
Deslizei os olhos por cada pedaço de carne
Findado o tempo respirei profundo
E como desabafo há muito guardado
Questionei
O que eu estou fazendo nessa vida
E o espelho espelho meu continuou em silêncio
A resposta foi boa
Meus ouvidos é que permaneceram surdos

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Pessoas são como livros
Algumas você se encanta no início
Os primeiros capítulos são fantásticos
Mas aos poucos a leitura vai ficando tediosa
Cansativa e por mais que insista
A leitura não desenrola
É melhor fechar o livro e doar
Porque nem vale a pena na estante ficar
Outras, a leitura te consome
Nem vê o tempo passar
E tal como livro bom
Torcemos para nunca acabar
Quando se aprende a ler pessoas
Nada que elas fazem podem te magoar
Pois cabe a você partir ou ficar


Caso ou acaso
Nesse acaso que virou caso
Não por acaso
Foi um só um caso
A banalização do amor
Qualquer um chega e diz meu amor
Ou simplesmente amor
O contexto nem tem importância
Diante do cravo a desabrochar
Vale dizer qualquer coisa
Até meu amor
Meu cérebro ou meu coração
Não digerem essa frase muito bem
Nasce um asco interno
Até repulsa e o que deveria ser prazeroso
Perde todo o encantamento
O amor deixou de ser intenso
Passou a ser qualquer coisa
Assim falada, assim mexida, remexida
Vem como moeda de troca
Por algo que se fez ou tentou fazer


Por que andas tão só? Perguntou o vento
Para sentir o calor do sol e o frescor da grama
Respondeu meu velho corpo
Marcado pelas rugas do tempo
E já despido das vestes das regras
O passarinho cantador, quis saber
Por onde andava o amor
E meus olhos entristecidos
Responderam que o amor
Nunca fora encontrado
Mas a vida toda desejado
A metamorfose do viver
Não me transformou em borboleta
Mas deu me asas para voar

                         



               

Nasci nua e só, embora rodeada
Permaneci no meu mundo vazio e tão limpo
Voltar ao útero às vezes da vontade
Mas é preciso crescer
Passar pelas fases
Tornar-se humano
Com todos os dramas e ilusões possíveis
Nessa viagem que tem destino certo
Vou crescendo e no topo declino
Decresço e no fim volto ao útero
Na terra macia e fria
E assim como cheguei um dia partirei
SOZINHA
Mas de forma alguma vazia


Andei pensando
Não demorei muito e cheguei na esquina
Haviam retalhos de sentimentos espalhados
Pedaços de vida nos cantos
Retornei, virei na rua ao lado
Pus me a correr
Então estaquei
Sacudi a cabeça
Vários pensamentos saltaram de lá
Tontos, atordoados
Sentei, deixei a mente serenar...

E aí vem você, todo dengoso e cheiroso Roça meu pescoço, você é habilidoso Sabe sussurrar em meus ouvidos Palavras que fazem meus pêlos e...