quarta-feira, 6 de abril de 2016

Foto: Mauro Marques
Texto: Anônimo
No meio da tarde me pego pensando em você
Vasculho os guardados da memória
E em meio a recortes do tempo
Relembro um pedaço da nossa história
Namoro seu retrato disperso das horas
Combino traços, imagino abraços
E finjo que ainda temos agoras
Meus lábios se abrem em sorriso
Sinto na pele o toque... Na boca o gosto
Uma insanidade consciente daquilo que já não há
Retorno pesada de sentimentos
A raiz não foi arrancada
Você permanece em mim
É preciosa pedra na minha jornada


segunda-feira, 4 de abril de 2016

Hoje há um silêncio gritando em mim
É ensurdecedor
Distraio-me com os avessos da vida
E neles me embriago
Saio cambaleante, trôpega em meus devaneios
Inutilmente resisto
Há um turbilhão de pensamentos
Dançam alucinados em minha mente
Meu corpo vibra e já em transe
Abandona-se nesse mar angustiante
Não se preocupa em nadar para longe
Não há força, não faz sentido
Cansado, exausto esse corpo afunda
Mergulhado em si
Rostos, formas, risos, lágrimas
Falas entrecortadas, mal acabadas
E no externo de mim
Calmaria sem fim
É madrugada e ela em meio a nuvens
Acaricia meu rosto
Seca a lágrima que rola
O silêncio aquieta





domingo, 27 de março de 2016

Chorei tanto e por tantas vezes
Que o choro virou rio
Virou mar
Virou
Hoje o que escorre
Contornando os traços
Enrugados do tempo
É um amargo sentimento
Que deixa rastro
Contrasto
Pedaço
Nessa linha embranquecida
Que desenha caminhos
Num rosto sem brilho
Vivo de mim esquecida
Agarrando-me no pouco
Que ainda resta de vida

sábado, 5 de março de 2016

Foto: Mauro Marques


Minha casa hoje está mais tranquila
Nela habitam pequenos formatos de amores
Ainda que pouco organizados
Facilitam seu transporte aonde quer que eu vá
Hoje minha pequena morada
Está repleta de flores cultivadas
Regadas com luz e amor
Cada flor é pedacinho do meu caminho
Cada encontro uma semente
Que cuidada irá brotar e florescer
Hoje minha casa é a pele que habito
E dentro dela o que aceito e permito

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Foto: Autoria desconhecida


Deitei meu desejo no mar
Cobri com as espumas
E de meus lábios o vento
O sopro que o levou em viagem
Meus olhos eram os faróis
Na insana certeza de o querer
Um dia, quem sabe, voltar
Mas as águas escuras
Vez outra faz a luz se apagar
Ao longe vejo meu desejo navegar
Sento-me devagar com medo de o acordar
A luz prateada canta ao longe
Como se meu desejo quisesse embalar
E ele se vai... Uma onda o recolhe
O aconchega em seus braços carinhosos
Me olha por uma última vez 
E então se dissolve no ar
Não há mais rastros, nem espuma ou poeira
Afundou na cama perfeita
Não estarei lá caso algo o faça despertar
Deitei meu desejo no mar
E despedi-me para sempre
Da forma doce que me permitiu amar

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Viver Bem


Foto:Paulo Augusto

"Vive bem quem é dócil diante das adversidades da vida (doença, velhice, perdas materiais), consegue não se preocupar demais e tem bom humor.
Vive bem quem entende que os grandes momentos de prazer e dor são raros e que nos cabe cultivar os prazeres corpóreos e mentais disponíveis.
Os prazeres do corpo são o sexo, os esportes, a dança... São boas fontes de bem-estar, relaxamento posterior e ajudam a reduzir a ansiedade.
Os prazeres intelectuais, que nos ajudam muito a viver bem, são menos repetitivos: as músicas se renovam, assim como os filmes, os livros...
Quem se sente bem e tem conduta respeitosa em relação aos outros experimenta mais a sensação essencial para o viver bem: uma boa autoestima!
Vive bem quem conseguiu evoluir emocionalmente, é capaz de viver só e também ter elos sinceros com poucos e bons amigos e parceiros amorosos.
Vive bem quem tem ocupações agradáveis e tem no "fazer" uma importante fonte de satisfação; nesse caso, o tempo flui e isso é bem prazeroso.
Penso que viver bem não é muito complicado e nem exige glórias ou dinheiro a rodo: pede um cotidiano gostoso e algum projeto para ir atrás!" Flávio Gikovate

E aí vem você, todo dengoso e cheiroso Roça meu pescoço, você é habilidoso Sabe sussurrar em meus ouvidos Palavras que fazem meus pêlos e...