quarta-feira, 24 de setembro de 2014


                                           

Hoje eu estou triste, acordei assim
Um não sei quê que chegou de madrugada
Não se deu ao trabalho de bater à porta
Entrou, se acomodou e esperou
Mas esse estar triste dura um dia e meio
Já sei que daqui a pouco ele toma o caminho de volta
Não tenho a alma triste, só acordei assim
Sentindo-me pequenininha e com saudade
Daquilo que não tive e que não aconteceu
Essa falta que não se nomeia
Esse estar desalentado que busca afago
Hoje é só um rasgo no tempo que 
Foi um pouco mais profundo que os outros
Com uma agulha e linha posso cerzir esse momento
A marca ficará ali me mostrando que posso ficar triste
Mas que também posso bordar o caminho com 
As cores que eu escolher e me alegrar
Um toque de cinza às vezes pode sombrear
Mas também unir e equilibrar
Hoje eu acordei triste, mas quem sabe no fim do dia 
A tristeza ceda lugar ao sorriso e a alegria...



quinta-feira, 28 de agosto de 2014



Não sou perfeita e tenho plena consciência que nessa encarnação eu não vou conseguir atingir o segundo traço, mas acordo todos os dias disposta a fazer algo de bom para mim e assim tornar a minha volta um pouco mais leve e saudável.
Não é o outro que precisa ser como eu quero, sou eu quem precisa trabalhar para aliviar o que me causa desconforto. Agradamos e desagradamos e essa luta diária para manter o equilíbrio emocional é desgastante, mas cabe a nós a escolha do sol ou da chuva, do verão ou do inverno. Cada dia é um presente, que eu agradeço com toda minha alma, à essa energia espiritual que me conduz.
Hoje tentarei ser um pouquinho melhor do que fui ontem, mas tenho consciência que apenas eu verei isso. 
Que o dia seja iluminado e que a alma seja leve, pois carregamos peso demais nesses caminhos tão cheios de pedras e espinhos.

terça-feira, 15 de julho de 2014


Não sei se o acaso quis brincar
Ou foi a vida que escolheu
Por ironia fez cruzar
O meu caminho com o seu
Eu nem queria mais sofrer
A agonia da paixão
Nem tinha mais o que esquecer
Vivia em paz, na solidão
Mas foi te encontrar
E o futuro chegou como um pressentimento
Meus olhos brilharam, brilharam
No escuro da emoção
Não sei se o acaso quis brincar
Ou foi a vida que escolheu
Por ironia fez cruzar
O seu caminho com o meu

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Às vezes a tristeza chega sem aviso e te arrebata
Não te pergunta se pode entrar
Escancara a porta e adentra
Como um furacão
Sai derrubando tudo
O que encontra pelo chão
Mas a tristeza dessa vez
Não veio sem razão
Ela sabe que cada minuto
É importante demais
E também sabe
Que há momentos
Que nada nem ninguém
É capaz de aliviar essa dor
Que precisa ser manipulada, guardada
Alguns momentos descontraídos
Evaporam como fumaça no ar
E ela precisa se chegar
E tomar no colo, acalentar
A tristeza sabe que haverão
Outros sorrisos, outros abraços
Que precisará de forças para
Que os olhos não traiam e
O silêncio se fará necessário
Hoje a tristeza precisará de máscaras




O tempo agora passa lento, quase consigo enxergá-lo
A chuva que bate à janela parece querer me contar histórias
Sentada, distante e surda aos sons externos
Adapto meus ouvidos a outros sons
Sons do passado quando tudo parecia possível
Percebo agora que alguns desejos e sonhos
Foram tão desnecessários e inúteis
Lembro-me das lágrimas bobas por motivos fúteis
O pequeno papel que se desdobra à minha frente
Revela-se como um justo senhor
Tanto tempo desperdiçado, tantos rancores
E esse tempo desejo que passe lento, mas daqui a pouco
Será que ainda terei tempo?
A confusão é como parceira das horas
Esse é um momento solitário
Em que algumas coisas precisam ser reveladas
E o medo do sofrimento a ser causado
Doe ainda mais do que o que a mim fora anunciado
Existe um espelho a minha frente
Não consigo me ver nele
Mas vejo o rosto e o sorriso que precisam estar ali
Para confortar, abrigar, consolar
Do outro lado, o reflexo não é tão bonito
As dores que consomem meu corpo
Parece uma navalha afiada que vai
Dilacerando cada pedaço de pele
O sono a cada dia mais difícil
O cansaço que bate e a vontade de se deixar ficar
Lembro-me de outro tempo
De outras dores e preciso trazer de volta
O sorriso, o olhar, a certeza de ainda estar...




Ilusão
Pequenos prazeres do irrealizável
Abandono a razão e alimento o coração
Enganos em pequenas gotas
Que vão saciando a fome, o vício
Sombras aladas que disfarçam
A real verdadeira inquestionável
E dolorida realidade
Por que sustenta a dor
Se não é possível felicidade?
Porque a ausência é mais dorida
Porque a ilusão é menos sofrida
São minhas necessidades
São meus medos
Ilusão


Aprenda a viver
Mesmo que pouco ainda reste
Aprenda a sofrer
Mesmo que pouco ainda reste
Aprenda a sentir
Mesmo que pouco ainda reste
Aprenda a amar
Mesmo que pouco ainda reste
Mesmo que pouco ainda reste
Aprenda a amar
Mesmo que pouco ainda reste
Aprenda a sofrer
Mesmo que pouco ainda reste
Aprenda a sentir
Mesmo que pouco ainda reste
Permita-se VIVER
Ainda que pouco reste

E aí vem você, todo dengoso e cheiroso Roça meu pescoço, você é habilidoso Sabe sussurrar em meus ouvidos Palavras que fazem meus pêlos e...