terça-feira, 20 de janeiro de 2015

A banalização do amor
Qualquer um chega e diz meu amor
Ou simplesmente amor
O contexto nem tem importância
Diante do cravo a desabrochar
Vale dizer qualquer coisa
Até meu amor
Meu cérebro ou meu coração
Não digerem essa frase muito bem
Nasce um asco interno
Até repulsa e o que deveria ser prazeroso
Perde todo o encantamento
O amor deixou de ser intenso
Passou a ser qualquer coisa
Assim falada, assim mexida, remexida
Vem como moeda de troca
Por algo que se fez ou tentou fazer


Por que andas tão só? Perguntou o vento
Para sentir o calor do sol e o frescor da grama
Respondeu meu velho corpo
Marcado pelas rugas do tempo
E já despido das vestes das regras
O passarinho cantador, quis saber
Por onde andava o amor
E meus olhos entristecidos
Responderam que o amor
Nunca fora encontrado
Mas a vida toda desejado
A metamorfose do viver
Não me transformou em borboleta
Mas deu me asas para voar

                         



               

Nasci nua e só, embora rodeada
Permaneci no meu mundo vazio e tão limpo
Voltar ao útero às vezes da vontade
Mas é preciso crescer
Passar pelas fases
Tornar-se humano
Com todos os dramas e ilusões possíveis
Nessa viagem que tem destino certo
Vou crescendo e no topo declino
Decresço e no fim volto ao útero
Na terra macia e fria
E assim como cheguei um dia partirei
SOZINHA
Mas de forma alguma vazia


Andei pensando
Não demorei muito e cheguei na esquina
Haviam retalhos de sentimentos espalhados
Pedaços de vida nos cantos
Retornei, virei na rua ao lado
Pus me a correr
Então estaquei
Sacudi a cabeça
Vários pensamentos saltaram de lá
Tontos, atordoados
Sentei, deixei a mente serenar...
Às vezes as pessoas nos magoam e acabamos nos deixando levar pela tristeza.
Algumas palavras, por mais simples que sejam, são como flechas
Que ao atingir uma parte nossa, frágil e sensível, desencadeia
Um processo doloroso de angustia e sofrimento
No primeiro momento a ideia é depositar no outro toda responsabilidade
Nos colocando no lugar da vítima, sempre tão sofrida e coitada
Mas o senhor do tempo, com toda paciência e perspicácia
Nos tira a trava dos olhos e nos permite enxergar além de nossas mazelas
Somos os únicos responsáveis por toda sorte de alegrias e tristezas
Se permitimos que nos tratem de forma grosseira, preconceituosa e com indiferença
Não temos o direito de nos sentir vitimados pelo outro
Se continuamos no caminho que nos causa mais sofrimento que alegrias
É por nossa própria escolha, somos nós que semeamos nossas decisões e desejos
Somos nós a desfrutar dos frutos que advierem dessa plantação
Não devemos obrigar ninguém a gostar de nós, devem fazê-lo por desejo próprio
Quando nos sabotamos, na ilusão de chamar a atenção do outro
Tornamo-nos seres fúteis, chatos, fracos e vazios
Se alguém que você quer muito bem o ignora ou se quer lembra da sua existência
Não deixe de gostar ou demonstrar afeto, não deixe de ser quem é
Porque o outro não tem os mesmos sentimentos que você.
O que realmente importa é o quanto nos amamos e o quanto de responsabilidade
Colocamos nas relações que nos acompanham vida afora.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014




Foto:Mauro Marques

Mais um ano se foi, e esse foi muito rápido nem o vi passar direito. 
Meus planos deram certo e muito do que desejei, trabalhei muito, estou trabalhando e, na medida do possível, fazendo acontecer. Muitas noites mal dormidas, dias intermináveis, semanas de 12 dias, mas tudo valeu a pena e está valendo.
Conheci pessoas maravilhosas, me escutei mais, dei mais valor aos meus desejos e anseios. A jornada será longa e haverá momentos em que me julgarei sem forças para continuar, mas tudo valerá a pena no final, para ser bem sincera, já está valendo.
Nesse ano que se vai, fiz viagens maravilhosas, estive em lugares que me encantaram e deixaram printadas na alma as mais belas imagens. Foi prazeroso viajar com pessoas que me deram muito mais que suas companhias, me deram seu tempo e sua escuta carinhosa, me proporcionaram momentos deliciosos.
Nesse ano também me afastei de algumas pessoas que considerava amigas, mas que se revelaram o suficiente para me mostrar que não estão mais dispostas, ou nunca estiveram, a caminhar ao meu lado. E assim vou descobrindo a importância de estar ao lado de pessoas que nos enriquecem, que nos permitem o crescimento intelectual, espiritual e pessoal, e também vou descobrindo o quanto as pessoas podem ser cruéis, infelizes, egoístas e hipócritas. Às vezes dentro da nossa própria casa nos deparamos com situações que jamais imaginaríamos acontecer, mas fazem parte da jornada escolhida. As decepções fazem parte dessa jornada e é melhor deixar que sigam seu caminho em paz e que recebam muita luz por onde quer que possam ir.
E por falar em escolhas, cada dia mais me conscientizo que minhas escolhas devem ser muito bem feitas e pensadas, pois o resultado afetará muito mais a mim do que os outros. Muitos erros foram cometidos no passado, mas hoje tenho a capacidade de olhar para eles, ressignificá-los e tentar não repetí-los. 
Também fiz um acordo com o coração, para muitos um acordo não muito sensato, mas para mim é o que me trará tranquilidade, pelo menos por enquanto, já que tempo é a única coisa que não tenho. Depois de curar as feridas e deixar bem finas as cicatrizes prometi que ele não será mais maltratado e será preenchido somente com boas energias e pessoas de luz. Já desejei um amor um dia, mas não quero mais e, apesar dos contrários, aprendi a conviver com a minha solidão e a tirar proveito dela. Aos poucos vou tornando a minha vida um pouco mais leve e como bem disse Carls Rogers "a vida, no que tem de melhor, é um processo que flui, que se altera e onde nada está fixado."
Sou imensamente grata por tudo que eu tenho e pela pessoa que estou me tornando, sabendo que meus defeitos são muitos, mas que trabalho para, pelo menos, tentar amenizá-los. 
Para o próximo ano só posso pedir saúde e que eu tenha muito mais motivos para sorrir. 


E aí vem você, todo dengoso e cheiroso Roça meu pescoço, você é habilidoso Sabe sussurrar em meus ouvidos Palavras que fazem meus pêlos e...