quarta-feira, 30 de maio de 2012

Carrego nos ombros todo o peso de minhas ações. Se está leve é porque consegui tomar a decisão certa, se ainda está pesado é porque não consegui encontrar o melhor caminho...

segunda-feira, 28 de maio de 2012


Estrada (para Ivone de Assis)


A estrada empoeirada
Ladeada de mata e flores
Trás em suas marcas 
A lembrança do tropeiro
Do seresteiro, do sertanejo
Do homem que carrega no lombo 
De seu inseparável companheiro
O resultado de seu suor
E de seu amor pela terra
Pela luta diária de construir
Com dignidade e trabalho
A moradia que o abriga e 
A semente transformada em pão
Que alimenta, que da força,
Que sustenta o corpo para o longo caminhar.
A estrada da vida
Carregada de memórias
No marrom esverdeado do sonho
De um futuro melhor
Do ventre que se abre
E recebe o fruto do amanhã.
Na viola ponteada no embalo da saudade. 
A estrada é caminho
Caminho que é vida, que é começo...
Recomeço...
Futuro...
Amanhã...

(Poema escrito e lido no SARAU e lançamento do livro Contos Sertanejo de Ivone de Assis em Cascalho Rico - 05-05-2012)

Quando a tristeza bate a porta
Pedindo passagem em um grito insistente
Recuo alguns passos
Tapo os ouvidos e tento dela me afastar
Ela bate tão forte
Que sinto os tremores tocando meus pés
Subindo por meu corpo
Atingindo como flecha
O meu já tão cansado e sofrido coração
Tento, em vão, afugentá-la
A tristeza veio de longe e
Parece disposta a comigo ficar
A noite é longa e não a quero aqui
Foi minha companheira por tanto tempo
E tantas vezes deitei-me em teu colo
Aceitei seu abraço frio
E suas palavras que nunca me consoloram
Ficarei aqui, bem quieta
E talvez ela passe adiante
Deixei a porta aberta uma vez
E ela aproveitou e entrou
Ainda não me curei
Mas sei que a companhia que quero
É a paz no meu coração
É a luz na minha alma
É o sorriso no meu rosto
É o sol que brilha e irradia calor e amor
Uma vez eu me permiti fraquejar
Hoje a única coisa que desejo é AMAR.


Esse poema foi psicografado, levou apenas 2 minutos para ser tecido...

A morte do amor que não constrói


Mais um dia se foi
As últimas luzes desceram no horizonte
Algumas estrelas brilham aqui e ali
O céu escurece não há lua nessa noite, apenas frio
Vi os ponteiros do relógio 
Caminharem lentamente durante todo o dia
E eles continuam...
Os sons vão silenciando, a vida urbana dorme
Mas estou alerta, desperta...
Meus olhos não atendem meu desejo 
E o sono aos poucos também desaparece
Mais uma noite me verá aqui encolhida
Abraçada apenas à gélida solidão
Não quero sair
Vejo raízes enlaçarem meus pés
Amarrando-os e enterrando-os no chão
Meu corpo perdeu seus sentidos
Não existe mais dor, frio ou fome
Os músculos endurecidos
Vão tomando forma de pedra
A madrugada me encontra materializada em rocha
O coração agora pulsa lenta e silenciosamente
Os pulmões já não recebem mais ar
Não é mais necessário
Não verei o novo dia
Com a noite partirei
Encharcada de saudade
Transformada em lembrança
De carne e sangue a pedra e pó
Volitando me transformo em estrela
O avermelhado do dia colore a manhã
O vento sopra e o frio emudece
O corpo se fecha como concha
E não mais de amor padece.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Dissipar

Tomei uma decisão
E por mais dolorosa que ela seja
Não vou me demover
Mesmo que isso me faça sofrer
E que demore muito para te esquecer
Porque é sempre assim
O dia amanhece e o primeiro pensamento é você
Ao longo do dia entre um afazer e outro
Acalmo minha mente e silencio minha alma
Não pensar em você me acalma
Mas à noite no silêncio do meu quarto
Antes que o sono venha me acalentar
O último pensamento do dia é em você
Pode parecer inútil essa luta
Poderia simplesmente ir levando
E as migalhas recebidas ir aproveitando
Mas eu mereço muito mais que isso
E recuso-me a continuar nesse vício.

quarta-feira, 9 de maio de 2012


A madrugada silenciosa
Me abraça com tanta força
Que chego a sufocar
Já perdi a noção do tempo
O relógio parece adormecido no canto
Abro a janela na esperança de respirar
O frio chega com a brisa que sopra
Retraio os músculos, mas permaneço ali
Aberta à solidão da noite
O Céu de estrelas é um emaranhado de desenhos
Ali, perdida em minhas memórias,
Uno cada estrela e crio meus movimentos
Alguns sons se aproximam
Sussurrando que não há solidão completa
Que há vida nessa inconstância
Nessa existência quase vazia de sentimentos
Sinto o cheiro do dia que chega lentamente
Fecho a janela, me recomponho
Recomeço... Porque tudo é um eterno recomeço
A noite se esvai e com ela meu ontem
Partido, quebrado, remoído...
Outro dia...
Mais um dia!



Final de outono
Assim como as árvores
Sinto-me também quase sem folhas
Volto no tempo na fantasiosa esperança
De encontrar a tão desejada solução
Para aliviar de vez essa angustia
Que insiste em manter-se atada ao meu coração
Houve dias em que o sorriso farto
Deu luz a meus olhos cansados, 
Iluminando as marcas de minha face
Houve dias em que lágrimas correram 
E não as sequei, deixei-as assim
Foram elas que lavaram a poeira das dúvidas...
Desilusões... Fantasias... Tristezas... Alegrias...
Com elas cantei aos quatro cantos a felicidade momentânea
Festejei as migalhas que tão pouco me alimentara
As noites insones foram palco para longas
Colchas de palavras tecidas na mais profunda solidão
E aconchegada a essa colcha
Dou-me o direito de sair de meu corpo
Enquanto o visualizo velho e cansado
Por trás de sorrisos e esperanças
Apenas um ponto de luz na escuridão
Que abraçou com cuidado esse pequeno coração
O retorno no tempo não dá mostras de solução
Tão pouco garante a coragem de desistir
Daquilo que não passou de devaneios
Flashes de pequenos desejos de
Uma felicidade nunca materializada
O frio que se aproxima congela
Minhas forças e retém meus passos
Descuidar-me agora em que me encontro tão frágil
Apenas me lançará ao mais profundo poço
Não de lamentos ou sofrimento
Apenas à solidão que sentada em sua grande poltrona
Observa quieta e tranquila minha desesperada luta
Ela sabe que o esforço é em vão
O botão deverá ser apertado
Cabe a mim tocá-lo,
Mas quando?

E aí vem você, todo dengoso e cheiroso Roça meu pescoço, você é habilidoso Sabe sussurrar em meus ouvidos Palavras que fazem meus pêlos e...