quinta-feira, 8 de agosto de 2013


                                                            
A vida vai me levando por encostas ou ruelas
Lugares claros e , às vezes, escuros
As passadas largas nas horas despreocupadas
O caminhar lento no momento de dor e sofrimento
A vida com seus símbolos e significados
Vai me deixando migalhas de pão por onde passo
Com a certeza que se não acerto o passo
Perco o tempo e o compasso da minha história
No lumiar do dia ou sob a abóbada celeste
Vou contanto em versos
O que os olhos printaram na alma
Já não corro apenas caminho
Já não falo, sussurro
Nesse vagar inconstante e incerto
Sou ave que voa livre nas asas do vento
No coração o calor
Na alma conhecimento

sábado, 27 de julho de 2013

"A alegria começa quando somos responsavelmente livres para ser nós mesmos; quando tomamos o leme de nossa vida nas próprias mãos e deixamos de ser escravos de algo ou de alguém... Quando seguramos as rédeas da própria existência,  assenhoreando-nos dela, vivemos tranquilos e felizes e não mais necessitamos impor, comandar e controlar os outros, nem utilizar compulsoriamente a aprovação e os aplausos alheios para decidir ou agir, porquanto estamos firmados em nosso mais profundo senso de identidade...É muito bom vivenciar a alegria de encontrar o tesouro escondido no campo da própria alma... que sustenta, resguarda e inspira o ser humano a progredir de modo natural e sensato." Francisco E S Neto/Hammed

sexta-feira, 26 de julho de 2013

E fui deixando pedaços pelo caminho
Um olhar distraído, perdido na beleza
Um afago no coração aquietado
Vesti-me com a leveza dos sonhos
Compartilhei carinho
Na manhã ensolarada
Ou no entardecer silencioso
Regozijei-me em agradecimento
Descalcei os pés e senti o poder da terra
Mergulhei no espaço esquecida do tempo
Na encruzilhada do caminho
Escolhi o menos gasto
Fechei os olhos da carne
Enxerguei com os olhos da alma
Tão longa a viagem
Tão curto o tempo
Enquanto realidade fui apenas fantasia
Enquanto sonho desabrochei minha verdade
E no despertar do augusto dia
Dei asas a minha liberdade.

domingo, 16 de junho de 2013

                                       

Hoje quando o sol acordava preguiçoso
 E a aurora matizava o céu
Despertei com uma estranha sensação
E um tilintar de fada devolveu-me a visão
Descobri que para muitos
O corpo é só um corpo
Olhos e mentes cegas
Não enxergam a sua beleza
Tão pouco a sua poesia
A sensação de desconforto
Era apenas a reação ao desalento
De pertencer a um mundo
Que não me enxerga apenas me vê
Enrosco os pensamentos em frestas de luz
E a penumbra que ora se desfaz
Leva consigo minha única certeza
Somente seres sensíveis desfazem-se
De preconceitos e misérias materiais
Para ver não um amontoado de carne e pele
Mas a pureza e a simplicidade da alma

                                      
Esse corpo que revela não a sua nudez
Mas a nudez da sua alma
A não certeza da sombra que o recobre
O mistério que o abraça com gratidão
E se dissolve desmanchando-se no ar
Embalado pela melodia de vozes antigas
Que recitam histórias, revelam memórias
Esse corpo que se abriga na sombra
E se protege de olhos cegos 
Que não o conseguem ver
A luz escorre por cada poro
E vai desenhando contornos
Suas pinceladas deixam rastros
Da pureza adormecida e intocada
Ao deslizar pela pele
Escolhe o que deve tocar
Nesse corpo sem rosto
A luz alia-se a sombra
Permitindo que só os olhos da alma
Sejam capazes do corpo enxergar

Outra vez (Roberto Carlos/Isolda)

Você foi...
O maior dos meus casos
De todos os abraços
O que eu nunca esqueci
Você foi...
Dos amores que eu tive
O mais complicado
E o mais simples pra mim
Você foi...
O melhor dos meus erros
A mais estranha história
Que alguém já escreveu
E é por essas e outras
Que a minha saudade
Faz lembrar
De tudo outra vez.
Você foi...
A mentira sincera
Brincadeira mais séria
Que me aconteceu
Você foi...
O caso mais antigo
E o amor mais amigo
Que me apareceu
Das lembranças
Que eu trago na vida
Você é a saudade
Que eu gosto de ter
Só assim!
Sinto você bem perto de mim
Outra vez...
Me esqueci!
De tentar te esquecer
Resolvi!
Te querer, por querer
Decidi te lembrar
Quantas vezes
Eu tenha vontade
Sem nada perder...
Ah!
Você foi!
Toda a felicidade
Você foi a maldade
Que só me fez bem
Você foi!
O melhor dos meus planos
E o pior dos enganos
Que eu pude fazer...
Das lembranças
Que eu trago na vida
Você é a saudade
Que eu gosto de ter
Só assim!
Sinto você bem perto de mim
Outra vez....

segunda-feira, 10 de junho de 2013


Ontem eu morri
Era uma morte anunciada
O dia despontara com nuvens
Negras no horizonte
Os gritos em forma de canto
Dos agourentos pássaros
Faziam se ouvir a distância
Cambaleei até o chão que
De tão frio me despertou
Ergui a face rumo às nesgas de sol
Na tentativa inútil
De sua clemência
Refiz os últimos momentos
As últimas horas
Engoli as lágrimas como
Amargo café da manhã
Contei histórias
Contei memórias
Apaguei as mágoas
Com a borracha da certeza
Não me arrependi de nada
As últimas horas encontraram-me
Despida no canto vazio da sala
Não havia bagagem para minha partida
Da mesma forma que cheguei um dia
Agora conscientemente partiria
Estranhamente alguns sons
Chegaram para minha despedida
O choro tantas vezes guardado
A gargalhada dos momentos leves
Os ritmos lentos, porém precisos
Da vida que quis ter
Vi se apagarem as luzes
E o corpo ora emprestado
Adormecido ao pé da cama
Sem cansaço ou tristeza
Ontem eu morri e
E nessas primeiras horas
Banhadas de róseos matizes
Milagrosamente renasci!

E aí vem você, todo dengoso e cheiroso Roça meu pescoço, você é habilidoso Sabe sussurrar em meus ouvidos Palavras que fazem meus pêlos e...