terça-feira, 2 de outubro de 2012

Pode ser...


Pode ser que num dia desses qualquer
Eu me encontre totalmente livre de você
Pode ser que num dia desses qualquer
Sua lembrança não passe de um retrato
Envelhecido e amarelado pelo tempo
Pode ser que eu chore 
Quando a noite me abraçar
Pode ser que eu dê boas gargalhadas
Quando o sol vier me acordar
Pode ser que tudo vire uma grande confusão
Pode ser que a dor seja minha libertação
Pode ser que eu vire a esquina 
E me depare com o grande amor da minha vida
Pode ser que eu cruze a rua e seja levada
Para outros mundos, outras galáxias
Pode ser que eu chore ou sorria
Pode ser que eu ame ou odeie
Podem ser tantas coisas ou coisa nenhuma
E a decisão será sempre minha
Pode ser...

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

A poesia cochicha em meus ouvidos
Ela vem toda faceira
Sopra suavemente doces palavras
Acaricia com cuidado meu pescoço
Mordica o lóbulo de minha orelha
Causando deliciosos arrepios
Se insinua com toda sua sensualidade
Deixa um doce cheiro de mistério no ar
Ela se aconchega ao meu peito
E me aquece com todo seu calor
A poesia é uma cafajeste
Pois ama a mim e a todo mundo
Não a culpo por isso
Pois sei que quando está comigo
Está ali por inteiro
E me acabo nessa luxúria poética
Saboreio o que ela me dá
Pois também passeio por outros cantos
Dou alguns beijos nos contos
E sempre que posso durmo com o romance
Mas é com a poesia que me entrego inteira
Ela me conhece intimamente
Sabe todos meus defeitos
Se enamora de minhas qualidades
Ah, minha doce poesia
Quando você chega sem avisar
É quando mais desejo te namorar




quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Quando sou falante o verbo domina o espaço
Irradiando vibrações
Espelhando e refletindo momentos, às vezes,
Dissociados do que realmente
Me acontece internamente
É quando me calo que o silêncio fala mais alto
Escondida do mundo vago lentamente
Entre o escuro e o claro
Travo guerras internas com meus demônios
Afasto-me de todos e me desfaço em pedaços
Na tentativa frustrante de me conhecer
Saio de mim para tentar me encontrar
Mas não posso afastar-me tanto
É preciso voltar e encarar rostos 
Falar quando meu desejo é calar
E assim na luminosidade ofuscante do dia
Maqueio o rosto de forma a esconder a alma
Cumpro com meu papel existencial
Aguardando o próximo momento
Quando posso de novo me afastar
E em algum lugar, longe de rostos e vozes
Continuar essa busca de mim mesma
Hoje os olhos não têm brilho
A voz não tem melodia
E meu caminhar é arrastado
Mas um dia minha busca se encerrará 
E aí então poderei me livrar
Desse invólucro que recobre meu espírito
E partirei para nunca mais voltar.




segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Sabe por quê eu gosto de você? Porque eu não preciso fazer mais nada além disso, simplesmente gostar e me deliciar com os prazeres que este gostar me proporciona...

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

O poder de um símbolo
Pequeno, singelo 
E tão cheio de significado
Aparentemente inofensivo
Mas capaz de causar
Tanta dor que o corpo
Perde suas forças
E se alquebra 
Em pedaços de difícil restauração
O poder de um símbolo
Não exige palavras
Gestos ou atitudes
Apenas a sua presença
Em instantes o que parecia sonho
Transforma-se em pesadelo
É o massacre da alma
Não houve discussão
Prévia anunciação
Foi apenas a sua presença
Pequeno, quieto
Silencioso em palavras
Mas poderoso e articulado
Enquanto símbolo
O poder de um símbolo
Símbolo...símbolo...símbolo

quinta-feira, 13 de setembro de 2012







Cacos
Vander Lee

Ok, você pediu
você plantou
você se abriu
você sonhou
e acordou
entre suspiros
a olhar para a distancia
uma vida a esperar...
por quem você mal viu
e até chorou
quando partiu
que procurou
mas estava a mil
agora esquece essa intenção
que a vida acende
o candelabro da razão
juntando outros lados
da mesma questão,
as cartas na mesa
e as cinzas no chão,
dispenso as certezas
mas presto atenção
recolho meus cacos
e deixo nos braços da canção
e vou dar uma volta
olho a minha volta
nada tem volta
volta

...
Queria apenas planar e sentir
O vento e o cheiro do ar
Queria ficar ali imóvel para sempre
O som agora é mais intenso
As notas martelam sucessivamente
E sinto farpas a perfurar minha pele
Desejo a dor como desejo o ar
Levanto-me, movo-me
Estremeço e giro
A voz não sai, mas escuto meu grito
De repente o silêncio
O cansaço, a tristeza
As lágrimas, escondidas atrás do sofá,
Aproximam-se e tentam me embalar
Balanço de um lado para outro
Acompanho as batidas finais da canção
Sinto desfazer-se em pedaços
Meu pobre coração
O chão está frio, mas não ligo
E ali me deixo consumir
Já não existe mais som
Já não existe mais dor
Já não existo
Já... Não...
Não...

E aí vem você, todo dengoso e cheiroso Roça meu pescoço, você é habilidoso Sabe sussurrar em meus ouvidos Palavras que fazem meus pêlos e...