terça-feira, 15 de abril de 2014

Na construção do verso
Nesse tecer de letras
Transformado em palavras
No sofrimento da criação
No suor... Na emoção
O que brota é um poema
Que rasga a pele
Como semente que renasce
E vai enraizando e sangrando a terra
Da dor intensa ao alivio
Como gozo, final de amor...






Dov'è l'amore
Dov'è l'amore
Dov'è l'amore
Dov'è l'amore

E ainda que não consiga desvencilhar-me
Dos espinhos que ora ou outra
Arranham minhas enfadadas esperanças
Vou seguindo o que
Por algum tempo
lutei e resisti
Mas que agora
abraça-me
com carinho
Não chamo destino
Chamo caminho

domingo, 30 de março de 2014

E lá se vai o tempo
Agarrando-se a tudo que encontra pelo caminho
Entre uma passagem e outra
Vejo seu rosto
Agora ele já não me chama mais atenção
Foi se perdendo
Mas ainda vai deixando pedaços pelo chão
E o que antes fazia acelerar meu coração
Agora são meras imagens
De quem nunca conheci
Embora em outros tempos
Tenha sido tão importante para mim
Ontem vi seu rosto
E foi como ver um estranho
Haviam defeitos que nunca me permiti perceber
Os olhos não transmitiam o brilho que julgava existir
E o sorriso, que tantas vezes aplaudi
Era apenas um sorriso planejado
Bem orquestrado
Não vinha de dentro, estava apenas nos lábios
E os segundos gastos na observação
Pareceram-me tempo demais
De vazio e ausência de emoção.
A última vez que nos vimos
Você estava nu
Despido da sua arrogância
Parecia até criança
Relembrando os tempos de infância
Você vestia o corpo
Mas despia a alma
E nesse arrancar de tecidos fluidos
Iam embora com eles
As máscaras do dia a dia
Tão necessárias ao sobreviver
A sua nudez interna contrastava
Com as vestes que cobria o corpo
Eu enxergava além de uma vestimenta
Não era só a pele que me permitia viajar
Era o que saia dos olhos e verbalizava
Nas palavras ditas
Ora brincadeira, ora verdade
Vê-lo assim, nessa nudez
Que tão poucos tem acesso
Deu-me mais prazer
Do que um corpo
Simplesmente nu
Um corpo é só um corpo
Quando carrega apenas a imagem
Desenhada pelo tempo
Mas passa a ser a revelação
Que seduz e produz admiração
Quando mostra alma e
Escancara o coração.



Acho que estou envelhecendo,
Mas não são as marcas que aparecem no meu rosto
Tão pouco a flacidez dos membros
Que me trazem essa confirmação
É a certeza que já não preciso mais ter pressa
Meus pensamentos e minhas ideias são meus
Agradam alguns, são desprezados por outros
A opinião alheia deixou ter peso na minha vida
Estou envelhecendo no melhor sentido
A impaciência e ansiedade de outrora
Agora dão lugar a uma calma e leveza
Que passei anos buscando e lutando
Para que chegassem naquele tempo
Percebo agora que chegaram no momento certo
Estou envelhecendo para sentimentos
Que antes me faziam passar horas desperta
Agora já não têm mais a menor importância
O que me afligia e angustiava tornou-se
Uma vaga lembrança e que aos poucos
Vai se perdendo na memória
Estou envelhecendo para conceitos
Pré-concebidos e que nunca
Levaram-me a lugar algum
Como águia que precisa trocar bico e garras
Estou na minha montanha solitária
Passando pelo processo de transformação
Que vai se ajustando ao que me é importante
Hoje eu tenha plena consciência do que NÃO quero
E essa consciência me liberta e ao mesmo tempo
Torna meu caminhar um pouco mais oneroso
Ter a certeza do que não se quer pode te limitar
E também permitir encontros mais verdadeiros
E que lhe proporcionam muito mais aprendizados
Estou envelhecendo e já não são mais falsos sorrisos
Tão pouco palavras largadas e sem sentimentos
Que conseguem quebrar as barreiras,
Que conscientemente construí
O processo de envelhecimento te limita a visão
Mas aguça o verdadeiro enxergar que está
Muito além dos olhos da carne.






terça-feira, 25 de março de 2014



Foto: Mauro Marques


É muito triste uma mulher sem brilho nos olhos
Sem o sorriso que brota na alma
E irradia por todo seu ser
Uma mulher precisa de leveza
De suavidade no seu caminhar
Precisa ter consciência de sua existência
Precisa acreditar na sua essência
Mulher é presente de Deus à Terra
É o diamante mais raro
É a flor mais bela
Mulher precisa vestir-se de doçura
Mesmo que os olhos chorem
É na sua alma que as lágrimas
São apenas água que cura
Que cicatriza as mágoas
Que purifica e edifica os sonhos
Mulher precisa de desejo
E sentir-se desejada
Mulher precisa amar-se primeiro
Para doar seu amor depois
E não a qualquer um,
Mas aquele que lhe faça sorrir
Sem motivo algum
Que é amigo, companheiro
Que faz seu corpo arrepiar-se por inteiro
Mulher que traz o sorriso na alma
Transforma tudo ao seu redor
Pois é equilíbrio e calma


Menina morena
                                                                                                         (poema dedicado a Silvia Sant'Ana)



Flor morena, doce, pequena
No jeito de olhar
Leveza no caminhar
É morena, é flor, pequena
Tem sorriso que ilumina
E enche de luz tudo ao seu redor
Menina morena, doce, pequena
Na voz, a maciez que seduz
É pequena e cheia de luz
Flor pequena, deusa morena
Na fragilidade de seu ser
Sabe do seu exato querer
Flor morena
Menina, mulher
Quem tem o privilégio de te conhecer
Fica impossível esquecer
Flor morena, doce, pequena
É mulher, é menina
É pequena
Morena

E aí vem você, todo dengoso e cheiroso Roça meu pescoço, você é habilidoso Sabe sussurrar em meus ouvidos Palavras que fazem meus pêlos e...