segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Soneto coração de mulher

Devia ser proibido maltratar o coração de uma mulher
Retirá-lo do seu peito e fazer dele o que bem quer
Brincar com seus desejos e fantasias e os manipular
Amá-la com sofreguidão e depois a abandonar

Você nem sabe as dores que causa no seu coração
Não lamenta as feridas abertas depois da paixão
É um sorriso falso esse que você lança
Depois se despede sem ao menos uma esperança

Devia ser proibido maltratar um coração sensível
Que sofre por não querer ser invisível
Que chora de verdade quando bate a saudade

Esse coração que pode parecer forte
Mas não chega nem perto de sua realidade
E que fica sempre abandonado a sua própria sorte

Contemplar...

Vem, senta comigo
O sol já vai se por
E não haverá outra hora como essa
Mira essas cores que aparecem no céu
Tons de rosa, laranja, vermelho, azul, branco
Veja como cada cor combina entre si
É como contemplar uma tela
Onde o artista escolhe as mais belas cores
As mistura e em grandes pinceladas
Dá-nos de presente essa beleza
Espere não vá embora
Ouça o silêncio que faz agora
A natureza busca seu descanso
O pássaro solta um canto manso
Esse dia se despede não haverá outro igual
Sente-se, relaxe, aproveite
Faça parte desse instante
Sinta-se parte integrante
Dessa pintura que aos poucos se desfaz
Depois pode partir... Vá em paz!

Quero voltar para casa

Quero voltar para casa
Retirar o tecido que recobre os móveis
Remover a poeira e as teias que se formaram
Quero correr descalça pela rua e dançar
Soltar os cabelos ao vento e voar
Subir e descer as ladeiras
Cumprimentar as velhas costureiras
Jogar bola com a molecada
Quero ouvir de novo as gargalhadas despreocupadas
Nas noites quentes e enluaradas
Quero voltar para casa
Descortinar o tempo e vislumbrar a esperança
Quero voltar e sorrir como no tempo de criança
Quero a chuva batendo em meu rosto
Pular na enxurrada e cantar com gosto
No silêncio da noite contemplar as estrelas
Ser seu brilho, sua centelha
Quero voltar para casa
Para o colo que acolhe
Para o abraço apertado
Quero voltar para casa
E simplesmente ser amado...

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Cântico

I
Você me esnoba, maltrata, ignora
Mal sabe minhas lágrimas
Que percorrem o caminho de
Minhas dores e angústias
Você se quer percebe o vazio
Que se forma quando ao
Fugir do mundo rumo
As fantasias criadas o
Que encontro é mais vazio

II
Mas não se engane se o
Lamento ora manifestado
Atravessa o espaço do tempo
E me segue noite adentro
Meu lamento dura apenas
Os minutos que dedico
As minhas fantasias e as
Manifesto de forma verbalizada
E ainda mais fantasiada

III
Não me arrependo de nenhuma palavra dita
Nenhum sentimento escancarado
Ao contrário foram ditos com
A minha verdade com aquilo
Que acredito e vivo
Meus sentimentos são meus
E jamais cobrarei ou pedirei
Algo que jamais se aproxime
Da minha forma de viver

IV
Os sentimentos externados
Em um momento de profunda
Dor e angústia ainda existem
Aqui dentro de mim
Mas agora de forma leve, suave e livre
Tenho consciência de
Que jamais sentirá o mesmo
Sou pra você apenas um rosto
Povoando as horas vazias
De tuas fantasias
Você é apenas você

V
E eu sigo enfrente
Rumo a um novo caminho
Meus sentimentos seguiram seu destino
E outros sentimentos virão
Assim como novas manifestações
De desejosas paixões
Você ficará guardado bem no fundo
Da caixa de minhas memórias
Como velhas fotografias de tempos idos
Margeadas pela saudade e
Deitadas na maciez dos meus
Desejos que sempre existirão por você
Você é o espelho que reflete
Minha alma exaurida, fatigada
Mas que me dá prazer
O prazer de gostar de quem sou
Só de pensar em você.

É uma luta inglória essa que travo
Entre a razão e o coração
A razão manda te esquecer
O coração diz que só existe você

Desfecho...

Quando está porta se fechar
Não será difícil dizer adeus
Os bons tempos já foram embora
Ficou saudade, lembranças
Não haverá adeus a ser dado
Não existem mais palavras
Todas se perderam quando a ausência
Tornou-se muito mais presente
Um dia o amor bateu à porta
E eu a abri... E ela ficou ali
Escancarada durante todo tempo
A passagem sempre esteve livre
Todos os objetos foram retirados
Nenhum obstáculo foi deixado
Por tanto tempo fiquei ali
A espera que você cruzasse o portal
E entrasse com a certeza do que
Eu tinha a lhe oferecer
Por anos a fio o alimentei com amor
Retirei de mim e dei tudo a você
A porta nunca foi cruzada
O que imaginei nunca acabar
Agora se encontra totalmente vazio
Suas palavras não chegam aos meus ouvidos
Seu rosto perdeu a forma
Vou fechar essa porta
Se ela será reaberta
Só o tempo poderá dizer
A única coisa que sei agora
É que não há mais dificuldade em te esquecer.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Migalhas

Todos os dias sinto uma dor
Que chega até os ossos
Acordo e adormeço com a sensação
De que nunca existi para você
Acostumei-me com tão pouco
Que as migalhas recebidas
Eram como gotas de orvalho da manhã
Saciando a minha sede do dia
Poucas palavras ditas ao acaso
Eram para mim verdadeiras declarações
Eu as interpretava como arroubos de paixão
Um simples oi era como um bom dia completo
Quando a ausência tornou-se mais forte
E meus dias e noites eram você percebi que
Havia costurado na bainha da minha alma
A sua imagem e a carregava comigo
Ignorando os sinais insistentes de minha consciência
Vivia aquela enchente de paixão
Encontrei-me tão encharcada e largada
Que o que vi não era um corpo
Mas um amontoado sem sentido, sem nada
Alimentando-me de suposições e fantasias
Agarrando-me a uma linha tão fina
Que ao arrebentar me soltou no ar
E como pluma ao vento simplesmente vaguei
Sei que vai levar um tempo
Para reconstruir o que foi transformado em cacos
Aprendi que algumas migalhas jamais poderão
Ser transformadas em um novo pão
Mas sei que também nada que vivi foi em vão
Nesse tempo que me pareceu séculos
Pude perceber que o que senti foi tão forte
Que jamais será esquecido, mas sim adormecido.

E aí vem você, todo dengoso e cheiroso Roça meu pescoço, você é habilidoso Sabe sussurrar em meus ouvidos Palavras que fazem meus pêlos e...