domingo, 16 de junho de 2013

                                       

Hoje quando o sol acordava preguiçoso
 E a aurora matizava o céu
Despertei com uma estranha sensação
E um tilintar de fada devolveu-me a visão
Descobri que para muitos
O corpo é só um corpo
Olhos e mentes cegas
Não enxergam a sua beleza
Tão pouco a sua poesia
A sensação de desconforto
Era apenas a reação ao desalento
De pertencer a um mundo
Que não me enxerga apenas me vê
Enrosco os pensamentos em frestas de luz
E a penumbra que ora se desfaz
Leva consigo minha única certeza
Somente seres sensíveis desfazem-se
De preconceitos e misérias materiais
Para ver não um amontoado de carne e pele
Mas a pureza e a simplicidade da alma

                                      
Esse corpo que revela não a sua nudez
Mas a nudez da sua alma
A não certeza da sombra que o recobre
O mistério que o abraça com gratidão
E se dissolve desmanchando-se no ar
Embalado pela melodia de vozes antigas
Que recitam histórias, revelam memórias
Esse corpo que se abriga na sombra
E se protege de olhos cegos 
Que não o conseguem ver
A luz escorre por cada poro
E vai desenhando contornos
Suas pinceladas deixam rastros
Da pureza adormecida e intocada
Ao deslizar pela pele
Escolhe o que deve tocar
Nesse corpo sem rosto
A luz alia-se a sombra
Permitindo que só os olhos da alma
Sejam capazes do corpo enxergar

Outra vez (Roberto Carlos/Isolda)

Você foi...
O maior dos meus casos
De todos os abraços
O que eu nunca esqueci
Você foi...
Dos amores que eu tive
O mais complicado
E o mais simples pra mim
Você foi...
O melhor dos meus erros
A mais estranha história
Que alguém já escreveu
E é por essas e outras
Que a minha saudade
Faz lembrar
De tudo outra vez.
Você foi...
A mentira sincera
Brincadeira mais séria
Que me aconteceu
Você foi...
O caso mais antigo
E o amor mais amigo
Que me apareceu
Das lembranças
Que eu trago na vida
Você é a saudade
Que eu gosto de ter
Só assim!
Sinto você bem perto de mim
Outra vez...
Me esqueci!
De tentar te esquecer
Resolvi!
Te querer, por querer
Decidi te lembrar
Quantas vezes
Eu tenha vontade
Sem nada perder...
Ah!
Você foi!
Toda a felicidade
Você foi a maldade
Que só me fez bem
Você foi!
O melhor dos meus planos
E o pior dos enganos
Que eu pude fazer...
Das lembranças
Que eu trago na vida
Você é a saudade
Que eu gosto de ter
Só assim!
Sinto você bem perto de mim
Outra vez....

segunda-feira, 10 de junho de 2013


Ontem eu morri
Era uma morte anunciada
O dia despontara com nuvens
Negras no horizonte
Os gritos em forma de canto
Dos agourentos pássaros
Faziam se ouvir a distância
Cambaleei até o chão que
De tão frio me despertou
Ergui a face rumo às nesgas de sol
Na tentativa inútil
De sua clemência
Refiz os últimos momentos
As últimas horas
Engoli as lágrimas como
Amargo café da manhã
Contei histórias
Contei memórias
Apaguei as mágoas
Com a borracha da certeza
Não me arrependi de nada
As últimas horas encontraram-me
Despida no canto vazio da sala
Não havia bagagem para minha partida
Da mesma forma que cheguei um dia
Agora conscientemente partiria
Estranhamente alguns sons
Chegaram para minha despedida
O choro tantas vezes guardado
A gargalhada dos momentos leves
Os ritmos lentos, porém precisos
Da vida que quis ter
Vi se apagarem as luzes
E o corpo ora emprestado
Adormecido ao pé da cama
Sem cansaço ou tristeza
Ontem eu morri e
E nessas primeiras horas
Banhadas de róseos matizes
Milagrosamente renasci!

domingo, 26 de maio de 2013

Não que você não seja bonitinho
Legal, engraçado, bom de cama
É que depois de um tempo
Perde a graça e deixa de ser interessante
Não que você não aqueça meu corpo
É que chega uma hora que brasas
Não são suficiente preciso de fornalha
As pinceladas ao longo do tempo
Desenham um quadro que eu idealizei
Com o rosto que eu imaginei
Criado a partir dos meus desejos
Mas até os desejos, às vezes
Precisam ser trocados
Não que você vá sair do meu imaginário
Mas é preciso trocar as roupas
E é sempre bom vestir algo novo
Deixa-nos com a sensação
De jovialidade estampada no corpo.




Foto Internet

Noite de lua cheia...
Figuras femininas
Despem-se diante  da luz mágica
Que as embebedam de sensualidade
O uivo alcança o tom mais alto
E a dança convida ao acasalamento
Noite de lua cheia...
Mulher transformada em loba
Na caçada que domina a noite
Cheiro aguçado, desejo revelado
Noite de lua cheia...
Da boca que devora a carne
Na satisfação do corpo
Na dominação do outro
Noite de lua cheia...
Fim do dia e ele me acompanhou cada minuto
Soprando frases soltas em meus ouvidos
Desdenhando de meus esforços na
Tentativa infeliz de afastá-lo de mim
Se ajeitava com graça e fazia troça
Sempre que tentava desviar do assunto
Às vezes me pegava distraída e ele
Vinha sorrateiro e até me acarinhava
Sabendo que gosto tanto quanto
Vem por trás e me abraça com força
Em alguns momentos o frio e o silêncio
Tornavam-se seus cúmplices e ele
Achava-se meu dono
Já cansada dessa luta inutil
Devo dizer que essa guerra
Quem perdeu fui eu
Melhor lançar-me em abandono
E no calor dos braços seus
Ser totalmente sua meu adorado SONO.




E aí vem você, todo dengoso e cheiroso Roça meu pescoço, você é habilidoso Sabe sussurrar em meus ouvidos Palavras que fazem meus pêlos e...